Opinião
Quando o amor te olha!
Opinião

Por Soraya Medeiros
Desde que o mundo é mundo, nós, humanos, viramos a alma do avesso na tentativa eterna de compreender o amor — esse mistério que move poemas, canções, nossos maiores atos de coragem e também nossas mais secretas fragilidades.
O amor é a bússola invisível que orienta o coração, ainda que às vezes perdida, enferrujada ou desimantada. Na arte de amar, somos todos navegadores antigos, tateando as estrelas com as mãos trêmulas — tentando decifrar um mapa que muda a cada olhar.
E nessa travessia, cada um finca sua tenda em um terreno distinto. Há os que amam com a força de um incêndio — querem extrair de um único instante o sumo de uma eternidade. Para esses, o amor é cometa: breve, incandescente, inesquecível.
Na outra margem, estão os que amam com a paciência das marés. Sabem que o amor não é um raio, mas a chuva mansa que escava a pedra, alimenta a raiz e faz o tempo florescer. Mas, em qualquer forma de amar — fogo ou maré — há um instante em que tudo se resume a um gesto simples e universal: o olhar.
O amor, afinal, só existe de verdade quando se revela no olhar. Não é uma ideia nem um ideal — é um instante de revelação. É quando você se vê refletido nos olhos de quem ama e, de repente, reconhece a melhor versão de si. Naquele espelho, as imperfeições viram singularidades; as fraquezas, a humanidade. É o lugar onde se é compreendido sem precisar explicar e aceito sem precisar pedir.
Dizem que o amor é loucura — e talvez seja, por um instante. Mas sua essência não está no delírio: está na plenitude que repousa na alma. É a ebulição mansa dos gestos: o copo d’água deixado ao lado da cama, o abraço silencioso, a palavra que sustenta.
O amor verdadeiro não é espetáculo — é cuidado. É presença que não pesa, é silêncio que acolhe. E esse amor não se veste apenas de romance. Ele é múltiplo, vasto, onipresente. Há o amor de mãe, que é instinto e refúgio; o de pai, firme e contido; o de filho, que nasce da dependência e amadurece em gratidão; o de amigos, porto seguro escolhido a dedo.
Há o amor que despede e o amor que reencontra, o amor que fere e o amor que cura. Há amor no pão repartido, no ombro oferecido, no sorriso de um estranho que ilumina o dia. E há, por fim, o Amor maior — com A maiúsculo — o que nos olha através da criação. Ele está no brilho do sol, na vastidão do mar, no silêncio da noite. O amor de Deus — e o amor em nome Dele — nos convida a amar o próximo como a nós mesmos.
Como disse Rainer Maria Rilke, “Amar é uma tarefa para a qual toda a nossa vida ainda é demasiado breve”. E talvez por isso, como escreveu Clarice Lispector, “O amor é quando a gente mora um no outro”. E ainda, nas palavras de Vinicius de Moraes: “Que não seja imortal, posto que é chama, mas que seja infinito enquanto dure”.
Porque o amor é tudo isso — tarefa e morada, chama e eternidade. É matéria divina, mas também gesto humano. E, no fim, a receita parece simples, embora nunca seja fácil: é preciso parar. Silenciar o ruído do mundo. Buscar o amor no olhar.
Porque a mais profunda forma de amor não é a que exige, grita ou posa — é a que, quieta, te contempla. É o olhar que, ao pousar sobre a sua vida, a ilumina, a valida e sussurra, sem uma única palavra: “Eu te vejo. E é bom que você exista”. É, afinal, quando o Amor te olha, que você se sente, enfim, em casa.
*Soraya Medeiros é jornalista.

Opinião
As Amélias de hoje

Quando chega o mês da mulher, gosto de refletir sobre um tema que, durante muito tempo, foi mal interpretado: a figura da “Amélia”. Muita gente se lembra da música famosa de Ataulfo Alves e Mário Lago e associa o nome Amélia a uma mulher submissa, limitada ao lar ou reduzida ao papel de servir. Mas será que é isso mesmo que significa ser uma Amélia?
Eu penso diferente. Ao longo da minha trajetória, comecei a refletir sobre esse assunto quando ainda estava na faculdade. Em uma aula, recebemos o tema “Amélia” para uma redação. Naquele momento eu já era mãe e estava grávida do meu segundo filho. Quando escrevi meu texto, percebi que a visão predominante era de crítica à figura da Amélia, como se ela representasse algo negativo para a mulher.
Mas eu nunca enxerguei dessa forma, eu sempre acreditei que uma coisa não precisa substituir a outra… ela pode somar. Ser uma mulher ativa no mercado de trabalho não impede que ela também cuide da sua casa, da sua família ou dos seus afetos. Da mesma forma, dedicar-se à família não diminui a inteligência, a força ou a capacidade de uma mulher.
Quando comecei a pesquisar mais sobre o assunto, descobri algo interessante: o significado do nome Amélia não tem nada a ver com submissão. Muito pelo contrário, Amélia significa uma mulher vigorosa, ativa e trabalhadora e isso descreve perfeitamente muitas mulheres que conhecemos.
As Amélias de hoje são mulheres que trabalham, que empreendem, que lideram, que estudam, que cuidam da casa, que educam os filhos e que, muitas vezes, ainda sustentam suas famílias. São mulheres que enfrentam dificuldades, mas seguem firmes, construindo caminhos com coragem e resiliência.
No meu consultório, ao longo dos anos, ouvi inúmeras histórias de vida e posso dizer com segurança que muitas mulheres são verdadeiras parceiras na construção da vida familiar. Elas caminham ao lado, enfrentam momentos difíceis, ajudam a reorganizar a casa, apoiam os filhos e muitas vezes sustentam emocionalmente toda a estrutura da família, e isso representa força!
Ser Amélia hoje não significa abrir mão da autonomia ou da liberdade. Significa compreender que a mulher pode ocupar todos os espaços que desejar (no trabalho, na política, na ciência, na família ou onde mais escolher estar), mas também significa reconhecer que algumas qualidades tradicionalmente femininas, como o cuidado, a parceria, a capacidade de administrar múltiplas tarefas e de manter relações equilibradas, não devem ser desprezadas.
Essas qualidades não diminuem a mulher, pelo contrário, revelam sua grandeza. As Amélias de hoje são mulheres modernas, conscientes e protagonistas da própria história. São mulheres que trabalham, que sonham, que realizam e que, acima de tudo, constroem. Somos nós o cuidado e a delicadeza, ou seja, ser feminina não diminui, em nada, a nossa coragem.
Neste Mês Internacional da Mulher, minha reflexão é simples: que possamos valorizar todas as mulheres, em suas diferentes escolhas, trajetórias e formas de viver, porque, no final das contas, cada uma de nós carrega um pouco dessa força silenciosa, ativa e transformadora que sempre existiu nas verdadeiras Amélias.
Sonia Mazetto – Gestora de Potencial Humano, Terapeuta Integrativa, Fonoaudióloga e Palestrante
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