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Marketing e vendas: o que esperar do mercado no segundo semestre

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Opinião

Rômulo Rampini

O segundo semestre começa com um cenário bastante diferente daquele que muitos empresários estavam acostumados há poucos anos. O consumidor está mais seletivo, o custo da mídia continua elevado, as plataformas passam por mudanças profundas impulsionadas pela inteligência artificial e o ambiente digital se torna cada vez menos previsível. O resultado é simples: empresas que dependem apenas de anúncios tendem a sofrer mais.

A principal mudança acontece justamente nas plataformas que movimentam a maior parte dos investimentos em mídia digital.

A Meta continua ampliando o uso de inteligência artificial para decidir praticamente tudo dentro das campanhas: quem verá o anúncio, quanto será pago pelo clique, qual criativo será entregue e como o orçamento será distribuído. O discurso é de automação e ganho de eficiência. Na prática, muitas empresas e agências têm observado campanhas mais instáveis, aumento de CPM, oscilações de desempenho e resultados cada vez menos previsíveis.

Isso não significa que anunciar na Meta deixou de funcionar. Significa apenas que o empresário está cada vez mais dependente de decisões tomadas por um algoritmo sobre o qual ele não possui qualquer controle. Hoje uma campanha pode performar muito bem. Amanhã, utilizando exatamente o mesmo orçamento e a mesma estratégia, ela pode entregar um resultado completamente diferente.

Em ano eleitoral, o cenário fica ainda mais sensível. As plataformas reforçam políticas de moderação, ampliam mecanismos de controle sobre anúncios e disputam uma atenção que naturalmente passa a ser dividida com o volume crescente de conteúdo relacionado às eleições. O leilão fica mais competitivo e cada impressão passa a custar mais.

No Google, a transformação segue a mesma direção. A inteligência artificial passa a ocupar espaço nas buscas, campanhas automatizadas ganham protagonismo e a qualidade dos dados enviados pelos anunciantes passa a influenciar diretamente os resultados. O marketing digital está migrando de uma lógica baseada apenas em mídia para outra baseada em dados.

É justamente por isso que o maior investimento do segundo semestre talvez não seja aumentar o orçamento de anúncios.

Se eu pudesse dar apenas um conselho ao empresário, seria este: comece hoje a construir sua própria base de clientes.

Enquanto a Meta muda regras, o Google altera seus algoritmos e as plataformas definem quanto custará alcançar um novo consumidor, existe um patrimônio que continua pertencendo exclusivamente à sua empresa: seus contatos.

Cada cliente cadastrado, cada lead qualificado, cada orçamento solicitado e cada pessoa que demonstrou interesse no seu negócio representa um ativo que nenhuma plataforma pode retirar de você.

Empresas que possuem uma base organizada conseguem vender de forma muito mais previsível. Conseguem fazer campanhas de remarketing com muito mais eficiência, criar públicos personalizados, utilizar listas de clientes para potencializar campanhas de mídia, automatizar fluxos de relacionamento, enviar e-mails segmentados, distribuir conteúdo pelo WhatsApp, recuperar oportunidades esquecidas e estimular novas compras sem depender exclusivamente da aquisição de novos leads.

Enquanto muitos empresários continuam pagando para falar sempre com desconhecidos, empresas mais maduras utilizam a mídia para alimentar uma base própria e, depois, fazem boa parte das vendas utilizando canais que controlam diretamente. Essa talvez seja a maior mudança estratégica do marketing em 2026.

A mídia paga continua sendo importante. Mas ela deixou de ser o destino final. Ela precisa ser a porta de entrada para um relacionamento que acontece dentro da sua própria operação.Quem construir uma base forte dependerá cada vez menos dos humores das plataformas.

Quem continuar alugando toda sua audiência para Meta e Google corre o risco de ver seus custos aumentarem enquanto sua previsibilidade diminui.

No segundo semestre, mais do que comprar mídia, será preciso construir patrimônio digital. E nenhuma empresa faz isso sem organizar seus dados, conhecer seus clientes e transformar relacionamento em estratégia de crescimento.

*Rômulo Rampini é estrategista de marketing, consultor credenciado pelo SEBRAE MT e diretor da agência 3TRÊS

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Opinião

Inteligência Artificial em excesso ou ausência de identidade?

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Por Wellington Porto*

 

Existe um assunto que domina praticamente todas as rodas de conversa: a Inteligência Artificial. A verdade é que estamos vivendo uma das maiores transformações da história da comunicação. Ferramentas que antes eram da ficção científica hoje criam imagens, vídeos, textos, campanhas e até estratégias completas em poucos minutos.

 

Como profissional do marketing, acompanho esse movimento com entusiasmo. A Inteligência Artificial trouxe ganhos inegáveis de produtividade, reduziu barreiras de acesso à tecnologia e permitiu que empresas de diferentes portes tivessem acesso a recursos que antes estavam disponíveis apenas para grandes organizações. Seu impacto positivo é evidente e dificilmente haverá retorno a um cenário anterior.

 

No entanto, enquanto grande parte do mercado concentra suas discussões na possibilidade de a tecnologia substituir profissionais, acredito que existe uma reflexão ainda mais relevante e menos debatida: o risco de a Inteligência Artificial contribuir para a perda da identidade das marcas.

 

Ao observar as redes sociais, é possível perceber um fenômeno cada vez mais frequente. Empresas de segmentos completamente distintos começam a apresentar uma comunicação visual extremamente semelhante. Mudam os produtos, mudam os serviços e mudam os públicos, mas as peças carregam os mesmos elementos gráficos, as mesmas composições, os mesmos estilos visuais e, muitas vezes, até a mesma linguagem. A sensação é de que diferentes marcas passaram a ser produzidas a partir de um mesmo molde criativo.

 

Esse movimento ocorre porque a Inteligência Artificial opera essencialmente a partir de padrões. Sua capacidade de gerar conteúdo está baseada na análise de milhões de referências já existentes. Quanto maior o volume de dados consumidos, maior sua capacidade de reproduzir soluções eficientes. O problema é que eficiência nem sempre significa diferenciação.

 

E diferenciação é justamente o principal ativo de uma marca forte.

 

Ao longo da história, as empresas mais valiosas do mundo construíram seu patrimônio de marca por meio da consistência. Não se tornaram reconhecidas apenas pelos produtos que oferecem, mas pela forma única como se apresentam ao mercado. Cores, símbolos, linguagem, posicionamento e personalidade foram sendo consolidados ao longo dos anos até criarem uma conexão quase instantânea com o público.

 

Quando observamos uma determinada combinação de elementos visuais, frequentemente reconhecemos a marca antes mesmo de ler seu nome. Esse reconhecimento não é fruto do acaso. É resultado de um trabalho contínuo de construção de identidade, que exige estratégia, visão de longo prazo e, sobretudo, autenticidade.

 

É justamente nesse ponto que a Inteligência Artificial encontra seus limites. A tecnologia é extremamente competente para gerar conteúdo, mas ainda não é capaz de construir, sozinha, aquilo que torna uma empresa singular. Ela pode acelerar processos, ampliar possibilidades criativas e otimizar operações, mas não substitui a essência de uma marca.

 

A identidade nasce da capacidade de expressar valores, propósito, cultura e visão de mundo. E identidade não surge da repetição de padrões, mas da coragem de criar algo próprio. Enquanto a Inteligência Artificial aprende observando o que já existe, as marcas mais relevantes prosperam justamente quando conseguem apresentar ao mercado uma perspectiva original.

 

Talvez estejamos diante de um novo desafio para a comunicação contemporânea. Não uma crise provocada pela falta de tecnologia, mas pelo excesso dela. Não um problema relacionado à produção de conteúdo, mas à preservação da autenticidade. Em um cenário em que todos possuem acesso às mesmas ferramentas, a verdadeira vantagem competitiva passa a ser aquilo que nenhuma ferramenta consegue replicar integralmente.

 

Por essa razão, não acredito em um futuro marcado pela substituição dos profissionais criativos. Também não acredito no desaparecimento das agências ou dos estrategistas de comunicação. Pelo contrário. Quanto mais avançada a tecnologia se torna, mais valioso se torna o olhar humano capaz de interpretar contextos, compreender comportamentos e construir significados.

 

As organizações que mais se destacarão nos próximos anos não serão necessariamente aquelas que utilizarem mais Inteligência Artificial. Serão aquelas que souberem utilizá-la sem abrir mão da própria identidade. Afinal, conteúdo pode ser automatizado. Reconhecimento não. Processos podem ser acelerados. Relevância não.

 

No fim das contas, as pessoas continuam se conectando com aquilo que sempre as moveu, que são pessoas, histórias, valores, propósito e personalidade. E é exatamente nesse território que reside a força das grandes marcas, um espaço onde a tecnologia pode ser uma aliada poderosa, mas onde a construção da identidade continua sendo, essencialmente, humana.

 

*Wellington Porto é fundador e CEO da ZAP Comunicação, agência de estratégia e marketing para o agro.

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