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Reforma Tributária: Impactos e Adaptação no Agronegócio Brasileiro

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A reforma tributária sobre o consumo está transformando a estruturação operacional e o planejamento de investimentos no agronegócio. Tradicionalmente exposto a riscos como variações climáticas e de preços, o setor agora integra o impacto fiscal direto no fluxo de caixa, crédito e rentabilidade como um novo fator crucial para as margens.

Aprovada em 2023, a reforma terá implementação gradual. A fase de testes iniciou em janeiro de 2024, com a substituição de PIS/Cofins pela CBS em 2027. O IBS, que substituirá ICMS e ISS, será implementado entre 2029 e 2032, com a plena vigência do novo sistema prevista para 2033.

Durante essa transição para o modelo de Imposto sobre Valor Agregado (IVA), a gestão tributária adquire relevância equiparável às variáveis produtivas. A atenção se expande das alíquotas para a forma como as operações são registradas, classificadas e documentadas ao longo da cadeia de produção.

Desafios e Impactos Específicos no Agronegócio

A natureza interdependente do agronegócio o torna particularmente suscetível a essas mudanças. A cadeia produtiva, que envolve desde fornecedores de insumos até a exportação, pode ter seus créditos tributários comprometidos por inconsistências fiscais em qualquer etapa, resultando em elevação de custos e redução da margem operacional.

Com a digitalização do novo sistema, a fiscalização será mais automatizada e integrada entre os entes federativos. O cruzamento eletrônico de dados, embora reduza divergências interpretativas, aumenta a exposição a autuações imediatas por erros cadastrais, classificação incorreta ou documentação incompleta. Para empresas com alto volume de operações, bloqueios de créditos podem impactar diretamente o capital de giro e o planejamento financeiro.

Nova Dinâmica de Rentabilidade e Competitividade

A rentabilidade no agronegócio passará a depender não só da produtividade ou do comportamento das commodities, mas também da eficácia no controle de créditos tributários e na mensuração do custo real das operações. Processos administrativos, sistemas de informação e a organização de cadastros tornam-se fatores de competitividade, junto à tecnologia de produção e logística.

Analistas preveem que o período de transição demandará a revisão de contratos, políticas comerciais e estratégias de comercialização. A expectativa é de maior profissionalização administrativa em empresas rurais e agroindustriais, com a integração das áreas fiscal, contábil e operacional. Em um setor com margens historicamente apertadas e alta volatilidade de preços, pequenas distorções fiscais podem gerar impactos significativos nos resultados.

Nesse cenário, a tributação transcende a mera componente de custo, passando a influenciar decisões estratégicas como investimentos, estrutura societária, seleção de fornecedores e localização de unidades produtivas. A adaptação eficiente ao novo modelo será determinante para a competitividade do agronegócio nos próximos anos, especialmente para cadeias focadas em exportação, onde a eficiência operacional e a previsibilidade financeira são cruciais.

Fonte: https://pensaragro.com.br

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Governo inicia levantamento nacional para mapear avanço de javalis no campo

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O Ministério da Agricultura e Pecuária (Mapa) iniciou, na última semana, uma pesquisa nacional para identificar a presença de javalis e dimensionar os prejuízos causados pela espécie à produção agropecuária. O levantamento, aberto a produtores rurais e manejadores autorizados, vai ate 31 de maio e deve embasar, pela primeira vez com dados consolidados, políticas públicas voltadas ao controle do animal no País.

A iniciativa surge em um cenário de expansão contínua do javali no território brasileiro. Os prejuízos são estimados em centenas de milhões, podendo ultrapassar R$ 1 bilhão anualmente. A ausência de números consolidados é justamente o principal gargalo enfrentado pelo setor: há relatos recorrentes de danos severos em lavouras e pastagens, mas sem base estatística nacional que permita quantificar o impacto e orientar medidas mais efetivas.

De origem europeia, asiática e do norte da África, o javali (Sus scrofa) é uma espécie altamente adaptável, introduzida no Brasil décadas atrás e que encontrou condições favoráveis para se expandir. Sem predadores naturais relevantes e com elevada taxa reprodutiva — fêmeas podem entrar em reprodução ainda jovens e ter até três ninhadas por ano, com até uma dezena de filhotes —, a população cresce em ritmo acelerado.

No campo, os efeitos são diretos e, em muitos casos, imediatos. O ataque às lavouras ocorre desde o plantio, com o consumo de sementes, até fases mais avançadas, com o pisoteio e a destruição de plantas. O comportamento de escavação, utilizado na busca por alimento, revolve o solo, compromete sua estrutura e eleva o risco de erosão, afetando não apenas a safra atual, mas também o potencial produtivo das áreas nas temporadas seguintes.

Além das perdas agrícolas, há impactos sobre a pecuária e o meio ambiente. O javali compete por alimento com espécies nativas, predam pequenos animais, degradam áreas de vegetação e podem atuar como vetores de doenças, elevando o risco sanitário nas propriedades.

Desde 2013, o Instituto Brasileiro do Meio Ambiente e dos Recursos Naturais Renováveis classifica o javali como espécie exótica invasora e autoriza seu controle por meio do abate, desde que realizado por manejadores cadastrados. Na prática, no entanto, a contenção tem eficácia limitada. A combinação de hábitos noturnos, inteligência e capacidade de adaptação torna o animal difícil de capturar, exigindo estratégias combinadas que nem sempre são viáveis em grandes áreas.

Entre as medidas adotadas pelos produtores estão a caça controlada, o uso de armadilhas e a instalação de cercas elétricas. Todas, porém, apresentam limitações operacionais ou custos elevados, o que dificulta a adoção em larga escala.

Para o produtor rural, o impacto vai além da perda pontual de produtividade. Áreas invadidas por javalis frequentemente demandam replantio, correção do solo e aumento do uso de insumos, elevando o custo de produção e comprometendo a rentabilidade. Em casos recorrentes, o prejuízo se estende por várias safras.

A expectativa do governo é que os dados coletados até maio permitam identificar as regiões mais afetadas, os sistemas produtivos mais vulneráveis e a intensidade média dos danos. Os resultados devem ser divulgados no segundo semestre e servir de base para ações coordenadas de controle populacional e mitigação dos impactos.

PARA PARTICIPAR DA PESQUISA CLICANDO AQUI

CARTILHA – Paralelamente ao levantamento, o Sistema FAEP/SENAR-PR lançou uma cartilha técnica que detalha os riscos econômicos, ambientais e sanitários associados à presença do animal.

O material foi elaborado com a participação de órgãos como o Instituto Brasileiro do Meio Ambiente e dos Recursos Naturais Renováveis, a Agência de Defesa Agropecuária do Paraná e o Exército Brasileiro, além de entidades do setor produtivo (clique aqui).

Fonte: Pensar Agro

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