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Valor da produção do agro sobe 18% e chega a R$ 30,1 bilhões em 2025

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A nova safra de grãos confirma Rondônia como um dos polos em expansão do agronegócio brasileiro, mas também expõe limites claros para o avanço no campo. Para o ciclo 2025/26, a produção estadual deve somar cerca de 5,4 milhões de toneladas, praticamente estável em relação ao ciclo anterior, mesmo com um pequeno aumento de 1,3% na área plantada, que passa de pouco mais de 1,2 milhão de hectares. No cenário nacional, a Companhia Nacional de Abastecimento projeta colheita recorde de 354,8 milhões de toneladas de grãos, com área de 84,4 milhões de hectares, o que reforça o papel de Rondônia como parte de um movimento mais amplo de consolidação da fronteira agrícola.

A soja segue como carro-chefe do campo rondoniense. A cultura ocupa cerca de 717 mil hectares, com produção estimada em 2,6 milhões de toneladas, após uma década em que a área cresceu, em média, mais de 12% ao ano. Em contrapartida, o arroz perde espaço: a colheita deve cair de 162,4 mil para 150,7 mil toneladas, recuo de pouco mais de 7%, reflexo de preços menos atrativos e de uma demanda menor, que desestimula o plantio. Para técnicos que acompanham o setor, a fotografia é clara: o estado caminha para um patamar de estabilização nos grãos, pressionado por custos de produção mais altos, terras mais caras nas regiões central e norte e dificuldade de expansão, apesar da existência de áreas de pastagens degradadas com potencial para conversão.

O Informativo Agropecuário de Rondônia, em sua 18ª edição, mostra que o agro local vai muito além da soja. O café é um dos destaques: a estimativa é de 2,3 milhões de sacas de 60 kg de café beneficiado na safra 2025, alta de 10,4% sobre 2024, com produtividade média de 55,5 sacas por hectare — a maior do país e bem acima da média nacional. A mandioca, por outro lado, deve encolher, com redução de área de 17,6 mil para 14,2 mil hectares e produção estimada em 289 mil toneladas. Já a banana tende a ganhar eficiência: a área colhida deve se manter em torno de 7,1 mil hectares, mas a produtividade deve saltar de 11,3 para 14,4 mil quilos por hectare, impulsionando a produção em quase 26%.

Na pecuária, o ritmo também é de expansão moderada, mas consistente. Nos dois primeiros trimestres de 2025, foram abatidos cerca de 1,7 milhão de bovinos, com peso de carcaça de 409 mil toneladas, altas de 5,3% e 1,2% em relação ao mesmo período de 2024, segundo dados do Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística. A produção de leite, porém, recuou levemente: 288,4 milhões de litros no semestre, queda de cerca de 1% frente ao ano anterior, sinalizando margens mais apertadas e custos ainda elevados para o produtor. No comércio exterior, carne bovina in natura, soja e milho renderam, juntos, quase 2,5 bilhões de reais em receitas nos dez primeiros meses de 2025, consolidando esses itens como a espinha dorsal das exportações do estado.

O impacto econômico desse conjunto de atividades aparece no Valor Bruto da Produção Agropecuária de Rondônia, estimado em 30,1 bilhões de reais em 2025, alta de 18,4% sobre 2024. Bovinos, soja, café, milho e leite devem responder por quase 90% desse total, com a pecuária de corte sozinha representando pouco mais de 47% do VBP estadual. Para o produtor, os números mostram um agro diversificado, mas que avança com cautela: o desafio para 2026 será combinar ganhos de produtividade, recuperação de pastagens degradadas e melhor uso de tecnologia com uma agenda de crédito, seguro e infraestrutura que permita transformar esse potencial em renda sustentável no longo prazo.

Fonte: Pensar Agro

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Subproduto do etanol de milho ganha espaço nas exportações

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A expansão das usinas de etanol de milho no Brasil tem colocado no mercado volumes cada vez maiores de um ingrediente que vem ganhando espaço nas propriedades rurais: o DDGS (Dried Distillers Grains – Grãos Secos de Destilaria) um subproduto do processamento do grão utilizado principalmente na alimentação animal.

O produto surge durante a fabricação do etanol. No processo industrial, o amido do milho é convertido em álcool por meio da fermentação. O restante do grão — composto principalmente por proteínas, fibras, gorduras e minerais — permanece no material final, que é desidratado e transformado em um ingrediente utilizado na formulação de rações.

Por concentrar esses nutrientes, o produto se tornou uma alternativa para complementar a dieta de bovinos, suínos e aves. Na pecuária de corte, especialmente em sistemas de confinamento, o ingrediente já é amplamente utilizado como fonte de proteína e energia na alimentação do gado.

Além do teor proteico, o subproduto também fornece gordura e outros componentes energéticos importantes para a dieta dos animais. Por isso, pode substituir parte de ingredientes tradicionais usados nas rações, como milho e farelo de soja, dependendo da formulação nutricional adotada pelo produtor ou pela fábrica de ração.

Outro fator que tem favorecido a adoção do insumo é a disponibilidade contínua ao longo do ano. Diferentemente de grãos e outros produtos agrícolas que dependem do ciclo das safras, o subproduto é gerado diariamente pelas usinas de etanol de milho, garantindo oferta constante ao mercado.

COMMODITY – Atualmente, o Brasil produz pouco mais de 4 milhões de toneladas por ano desse insumo, volume que acompanha o crescimento da indústria de etanol de milho. A expectativa do setor é que essa produção continue aumentando nos próximos anos, podendo se aproximar de 5 milhões de toneladas à medida que novas usinas entrem em operação.

Desse total, uma parcela crescente está sendo destinada ao mercado externo. Em 2024, o Brasil exportou cerca de 790 mil toneladas do produto. No ano seguinte, as vendas externas subiram para 879 mil toneladas, um aumento de 9,7%, com embarques para 25 países.

Embora ainda represente uma fatia pequena da produção total, o volume exportado cresce rapidamente e reflete uma mudança importante na cadeia do milho: o subproduto do etanol passa a gerar receita adicional para o setor, agregando valor ao processamento do grão.

O avanço das exportações é relativamente recente. Dados do comércio exterior indicam que os embarques saltaram nos últimos anos, acompanhando a expansão das biorrefinarias de milho no Centro-Oeste.

  • 2023: cerca de 600 mil toneladas exportadas

  • 2024: cerca de 790 mil toneladas

  • 2025: cerca de 879 mil toneladas

A tendência de crescimento também aparece nos dados mais recentes. Apenas no primeiro semestre de 2025, o Brasil já havia exportado quase 486 mil toneladas, alta de 19% na comparação com o mesmo período do ano anterior.

Os principais compradores estão na Ásia e no Oriente Médio, mercados que utilizam o produto principalmente na nutrição de bovinos, suínos e aves.

Entre os destinos que mais importam o produto brasileiro estão:

Mais recentemente, a abertura do mercado chinês passou a ser vista como um divisor de águas para o setor. A China é um dos maiores consumidores globais de ingredientes para ração e pode se tornar rapidamente um dos principais destinos do produto brasileiro.

A produção e as exportações estão fortemente concentradas no Centro-Oeste, especialmente em Mato Grosso, onde se localiza a maior parte das usinas de etanol de milho do País.

O Estado responde por cerca de 80% a 85% das exportações brasileiras desse produto, reflexo direto da expansão da indústria de biocombustíveis baseada no cereal.

Para especialistas do setor, o crescimento do DDG representa uma nova forma de agregar valor ao milho brasileiro. Ao transformar o grão em etanol, a indústria também gera volumes significativos de proteína vegetal concentrada, que passa a ser utilizada na alimentação animal no Brasil e no exterior.

Na prática, isso significa que uma parte do milho produzido no País deixa de ser vendida apenas como grão e passa a entrar em uma cadeia industrial que gera dois produtos comerciais: biocombustível e ingredientes para ração.

Com o aumento da produção de etanol de milho e a abertura de novos mercados externos, a expectativa é que o DDG consolide gradualmente seu espaço como mais uma commodity ligada ao agronegócio brasileiro.

Fonte: Pensar Agro

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