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Verdades e mentiras sobre a Reforma Tributária em vigor, que afetam diretamente o produtor rural

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A chegada de 2026 marca o início da fase de transição da Reforma Tributária sobre o consumo no Brasil. No campo, porém, o debate tem sido contaminado por informações incorretas, exageros e interpretações que não encontram respaldo no texto aprovado pelo Congresso. Para o produtor rural, separar fato de boato será decisivo para evitar erros de enquadramento e decisões precipitadas.

O que É VERDADE

A Reforma Tributária foi promulgada e entra em fase de testes em 2026. Durante esse ano, as notas fiscais passam a trazer campos específicos para os novos tributos — a Contribuição sobre Bens e Serviços (CBS), de competência federal, e o Imposto sobre Bens e Serviços (IBS), de competência estadual e municipal. Haverá uma alíquota simbólica de 1%, apenas para validação de sistemas, sem recolhimento efetivo.

A cobrança real começa de forma escalonada: a CBS passa a valer em 2027; o IBS começa a ser implementado gradualmente a partir de 2029; e o novo sistema só estará completamente em vigor em 2033, com a extinção total de ICMS e ISS.

Também é verdadeiro que a reforma muda profundamente a lógica da tributação, tornando o planejamento fiscal uma peça central da gestão rural. A escolha entre atuar como pessoa física ou pessoa jurídica passa a ter impacto direto na competitividade, no aproveitamento de créditos e no custo efetivo da produção.

O que NÃO É VERDADE

Não é verdade que o produtor rural será obrigado a ter CNPJ a partir de 2026. A Reforma Tributária não extingue o produtor pessoa física, não substitui o CPF e não impõe uma “formalização nacional obrigatória”. O produtor poderá continuar operando como pessoa física, inclusive emitindo nota fiscal, conforme as regras estaduais já existentes.

Também não existe na lei a criação de um “CNPJ alfanumérico obrigatório que substitui a Inscrição Estadual”. O CNPJ alfanumérico foi adotado apenas por esgotamento do formato numérico e se aplica a novos registros, sem relação direta com a Reforma Tributária e sem eliminar a competência dos estados sobre o cadastro do produtor rural.

É falso, ainda, afirmar que produtores com faturamento acima de R$ 3,6 milhões passam a ser “obrigatoriamente contribuintes” do IBS e da CBS. Não há limite de faturamento na Reforma Tributária que imponha mudança de regime. IBS e CBS incidem sobre operações, não sobre o tamanho do produtor. Esse valor está ligado a regras do Simples Nacional, não ao novo sistema tributário.

PF ou PJ: não é obrigação, é escolha econômica

A reforma não obriga o produtor a virar pessoa jurídica, mas torna essa decisão estratégica. Em muitas cadeias produtivas, operar como pessoa física pode significar perda de créditos tributários e aumento do custo efetivo. Em outras, a manutenção como PF pode continuar sendo viável. A resposta não será uniforme — dependerá da atividade, da cadeia, do volume de insumos e do perfil de comercialização.

O que muda é que errar nessa escolha passa a custar mais caro.

MEI Rural não existe

Outro ponto que gera confusão é o chamado “MEI Rural”. Essa categoria não existe na legislação. Há apenas a possibilidade de MEI com CNAEs específicos ligados ao campo, com limite de faturamento de R$ 81 mil por ano e restrições severas. Para a ampla maioria dos produtores rurais, essa opção é inadequada e, em muitos casos, prejudicial, inclusive do ponto de vista previdenciário.

Sucessão e ITCMD: atenção, mas sem alarmismo

A Reforma Tributária do consumo não altera diretamente o ITCMD, imposto estadual sobre herança e doação. No entanto, decisões recentes do Supremo Tribunal Federal autorizam alíquotas progressivas, o que pode levar estados a elevarem a tributação no futuro. Percentuais elevados, como 16%, não são automáticos nem nacionais, mas o risco reforça a necessidade de planejamento sucessório.

2026 é o ano da preparação, não da cobrança

Para o produtor rural, a principal mensagem é objetiva: 2026 não é o ano do imposto novo, é o ano da decisão inteligente. Quem usar esse período para revisar enquadramento, simular cenários e ajustar sistemas entrará no novo modelo com vantagem competitiva. Quem agir com base em boatos pode assumir custos desnecessários e comprometer o resultado da atividade.

A nova safra fiscal exige menos pânico e mais informação. No campo, como sempre, planejamento segue sendo o insumo mais barato — e o mais valioso.

Resumindo:

  • Produtor rural NÃO é obrigado a ter CNPJ em 2026

  • CPF continua válido para produtor pessoa física

  • Não existe “CNPJ alfanumérico obrigatório do produtor rural” na reforma

  • Não há limite de faturamento que obrigue PF a virar PJ

  • IBS e CBS não serão cobrados em 2026 (ano-teste, sem pagamento)

  • MEI Rural NÃO existe na legislação

  • ITCMD não foi alterado pela Reforma do consumo

  • Cobrança real só começa em 2027 (CBS) e 2029 (IBS)

Fonte: Pensar Agro

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Subproduto do etanol de milho ganha espaço nas exportações

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A expansão das usinas de etanol de milho no Brasil tem colocado no mercado volumes cada vez maiores de um ingrediente que vem ganhando espaço nas propriedades rurais: o DDGS (Dried Distillers Grains – Grãos Secos de Destilaria) um subproduto do processamento do grão utilizado principalmente na alimentação animal.

O produto surge durante a fabricação do etanol. No processo industrial, o amido do milho é convertido em álcool por meio da fermentação. O restante do grão — composto principalmente por proteínas, fibras, gorduras e minerais — permanece no material final, que é desidratado e transformado em um ingrediente utilizado na formulação de rações.

Por concentrar esses nutrientes, o produto se tornou uma alternativa para complementar a dieta de bovinos, suínos e aves. Na pecuária de corte, especialmente em sistemas de confinamento, o ingrediente já é amplamente utilizado como fonte de proteína e energia na alimentação do gado.

Além do teor proteico, o subproduto também fornece gordura e outros componentes energéticos importantes para a dieta dos animais. Por isso, pode substituir parte de ingredientes tradicionais usados nas rações, como milho e farelo de soja, dependendo da formulação nutricional adotada pelo produtor ou pela fábrica de ração.

Outro fator que tem favorecido a adoção do insumo é a disponibilidade contínua ao longo do ano. Diferentemente de grãos e outros produtos agrícolas que dependem do ciclo das safras, o subproduto é gerado diariamente pelas usinas de etanol de milho, garantindo oferta constante ao mercado.

COMMODITY – Atualmente, o Brasil produz pouco mais de 4 milhões de toneladas por ano desse insumo, volume que acompanha o crescimento da indústria de etanol de milho. A expectativa do setor é que essa produção continue aumentando nos próximos anos, podendo se aproximar de 5 milhões de toneladas à medida que novas usinas entrem em operação.

Desse total, uma parcela crescente está sendo destinada ao mercado externo. Em 2024, o Brasil exportou cerca de 790 mil toneladas do produto. No ano seguinte, as vendas externas subiram para 879 mil toneladas, um aumento de 9,7%, com embarques para 25 países.

Embora ainda represente uma fatia pequena da produção total, o volume exportado cresce rapidamente e reflete uma mudança importante na cadeia do milho: o subproduto do etanol passa a gerar receita adicional para o setor, agregando valor ao processamento do grão.

O avanço das exportações é relativamente recente. Dados do comércio exterior indicam que os embarques saltaram nos últimos anos, acompanhando a expansão das biorrefinarias de milho no Centro-Oeste.

  • 2023: cerca de 600 mil toneladas exportadas

  • 2024: cerca de 790 mil toneladas

  • 2025: cerca de 879 mil toneladas

A tendência de crescimento também aparece nos dados mais recentes. Apenas no primeiro semestre de 2025, o Brasil já havia exportado quase 486 mil toneladas, alta de 19% na comparação com o mesmo período do ano anterior.

Os principais compradores estão na Ásia e no Oriente Médio, mercados que utilizam o produto principalmente na nutrição de bovinos, suínos e aves.

Entre os destinos que mais importam o produto brasileiro estão:

Mais recentemente, a abertura do mercado chinês passou a ser vista como um divisor de águas para o setor. A China é um dos maiores consumidores globais de ingredientes para ração e pode se tornar rapidamente um dos principais destinos do produto brasileiro.

A produção e as exportações estão fortemente concentradas no Centro-Oeste, especialmente em Mato Grosso, onde se localiza a maior parte das usinas de etanol de milho do País.

O Estado responde por cerca de 80% a 85% das exportações brasileiras desse produto, reflexo direto da expansão da indústria de biocombustíveis baseada no cereal.

Para especialistas do setor, o crescimento do DDG representa uma nova forma de agregar valor ao milho brasileiro. Ao transformar o grão em etanol, a indústria também gera volumes significativos de proteína vegetal concentrada, que passa a ser utilizada na alimentação animal no Brasil e no exterior.

Na prática, isso significa que uma parte do milho produzido no País deixa de ser vendida apenas como grão e passa a entrar em uma cadeia industrial que gera dois produtos comerciais: biocombustível e ingredientes para ração.

Com o aumento da produção de etanol de milho e a abertura de novos mercados externos, a expectativa é que o DDG consolide gradualmente seu espaço como mais uma commodity ligada ao agronegócio brasileiro.

Fonte: Pensar Agro

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