Cultura
Colecionar álbum de figurinhas da Copa do Mundo une gerações
Cultura
Febre no Brasil desde 1950, os álbuns de figurinhas da Copa do Mundo continuam a atrair entusiastas. Mesmo neste mundo de hoje, mergulhado no digital, a nova geração ainda entra na brincadeira, sendo uma ótima oportunidade de diversão longe de telas. Henrique, de 10 anos, já é praticamente um colecionador veterano, sendo essa a segunda Copa em que tenta completar o álbum.

“Colecionar o álbum da Copa é uma experiência muito legal, porque você pode trocar pra fazer amizades, vai colar figurinhas, ganhar figurinhas raras.”
Um colecionador ainda mais experiente é Marcelo Duarte, que vem fazendo isso desde a Copa de 1970. Ele guarda com carinho as lembranças de sua primeira experiência com as figurinhas.
“Era um álbum com o Pelé e a Taça Jules Rimet na capa. Eu tinha 6 anos ali. O meu pai dizia que o álbum era meu, mas não era muita verdade. Ele que abria os envelopinhos para não rasgar as figurinhas, ele que colava no álbum para eu não colar torto e ele não deixava folhear sem ele do lado, né, com medo que eu rasgasse as páginas.”
Marcelo é autor do “Álbum dos Álbuns de Figurinhas da Copa do Mundo“, lançado este ano pela Panda Books. O livro procura mostrar como é rica e ainda pouco conhecida essa história.
“E aí é que veio a ideia de fazer um livro que eu acho totalmente inédito no mundo inteiro. De contar a história das Copas contando a história dos álbuns de figurinhas que foram lançados alusivos aos campeonatos, aos jogadores. Eu contei com a ajuda de cinco grandes colecionadores, os maiores do Brasil, e eles me abriram as coleções para eu fotografar. E aí eu consegui montar o “Álbum dos Álbuns de Figurinhas das Copas”.
Colecionar figurinhas também funciona como algo coletivo, unindo diferentes gerações em torno da atividade. Alice, de 11 anos, e Kauã, de 8, falam sobre como colecionar fica ainda melhor em família.
“Coleciono minhas figurinhas com meu pai e meu avô, mas eu colo com as minhas primas, troco com elas. Eu acho muito legal essa experiência de colar em conjunto, e acho que fica bem mais legal junto com eles.”
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Conheça a história por trás da tradição das bandeirolas juninas
Durante os festejos juninos, elas enfeitam ruas e praças. Mas muito antes de virarem decoração, as bandeirolas tinham um significado religioso. A tradição chegou ao Brasil com os portugueses e foi se transformando ao longo dos séculos. O professor de História Ricardo Carvalho explica diferentes versões para o surgimento deste costume.

“A origem é bem mais distante daqui, mais ancestral. Já existia mesmo nas comemorações pagãs na Europa Ocidental, principalmente durante o solstício de verão, que é essa época mais ou menos do mês de junho. Eram comemorações em que se acendia fogueiras, que se colocava adereços, estandartes saudando a fertilidade, saudando aquele período de abundância que começava a ser marcado por esse período. E aí, com a cristianização da Europa, essas práticas pagãs acabaram de alguma forma sendo incorporadas dentro do imaginário cristão ocidental. Então, as festas de Santo Antônio, de São João e São Pedro acabaram adotando os estandartes com os santos, essas bandeiras com os santos, que faziam parte de um ato de devoção, mas, ao mesmo tempo, da liturgia católica em progressão na Europa. Com o trabalho jesuíta aqui no Brasil, o trabalho de catequese, que foi toda a aculturação cristã vinda através da Companhia de Jesus, essas práticas também foram incorporadas aqui aos festejos. Mas, curiosamente, não é essa a única teoria da origem das bandeirolas para os festejos juninos. Há alguns historiadores que defendem que elas vieram também do contato dos portugueses, durante a expansão marítimo-comercial, eles chegaram a ter contato com tradições budistas, no Himalaia, na região da Ásia Oriental, e que era muito costume se colocar orações budistas em bandeirolas coloridas. Talvez essa influência também tenha marcado essa presença portuguesa e que acabou migrando para os nossos festejos aqui no Brasil.”
Com o tempo, as antigas referências visuais foram dando lugar às cores e aos recortes geométricos que, hoje, marcam a decoração dos arraiás.
“As bandeirolas passam a ter um significado muito rico. Elas são quase que uma arquitetura efêmera, fazem parte de um componente de um teto novo que faz as praças se transformarem em arraiás, as ruas em desfiles de quadrilhas. Então é muito forte.”
Por isso, mais do que enfeites, estes símbolos ajudam a manter viva uma das mais belas tradições da cultura brasileira.
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