Cultura
Dia Nacional das HQs é celebrado neste 30 de janeiro
Cultura
Quem poderia prever que uma garotinha de personalidade forte e seu coelho azul atravessariam décadas marcando gerações? Ou que as maluquices de um menino com uma panela na cabeça se tornariam inesquecíveis? Há quem sinta tanta inspiração a partir das histórias destes personagens que até sonha em acompanhá-los de perto.

“Tio, eu queria falar uma curiosidade muito legal: que quando meu primo crescer, ele quer ser quadrinista.”
Assim como a Heloísa, de 11 anos, muitos brasileiros se conectam com as histórias em quadrinhos a partir da infância, e mantêm esse vínculo depois de adultos. É o caso do estudante de administração, Gabriel Britto. Ele conta que os gibis foram fundamentais para que aprendesse a ler.
“Meus pais me incentivavam a ler desde criança. Meu pai, então, tinha uma coleção antiga de quadrinhos da Turma da Mônica e gibis de super-heróis também. Então ele sempre me incentivou a ler. E hoje em dia essa paixão ainda continua, porque eu sempre tive essa curiosidade de ler mais sobre personagens, de ler mais sobre esse mundo.”
O Dia Nacional das Histórias em Quadrinhos, celebrado neste 30 de janeiro, reforça a importância de manter o hábito da leitura. A data homenageia a primeira HQ publicada no Brasil, em 1869: “As Aventuras de Nhô-Quim ou Impressões de uma Viagem à Corte”, criada por Ângelo Agostini para a revista Vida Fluminense.
Desde então, as histórias em quadrinhos ganharam cada vez mais espaço na cultura literária nacional, sendo utilizadas, inclusive, para o aprendizado de crianças nas escolas pelo país. A neuropsicopedagoga, Raquel Junqueira, explica os benefícios que esses materiais trazem para o desenvolvimento cognitivo das crianças.
“A criança, ao ter contato com as histórias em quadrinhos, ela precisa olhar, ler, interpretar imagens, compreender as emoções, organizar a sequência dos fatos. Tudo isso acaba mobilizando a atenção, a memória, a linguagem e, principalmente, as funções executivas do cérebro. As imagens ajudam muito na compreensão do texto e acabam diminuindo a sobrecarga cognitiva, principalmente para quem ainda está se alfabetizando ou tem alguma dificuldade de aprendizado.”
As histórias geram uma sensação de prazer ao cérebro, que ativa seus sistemas de recompensa e associa o ato de ler como algo positivo, lembra Raquel Junqueira.
“Aos poucos, a criança passa a buscar a leitura de forma mais autônoma. E principalmente aqui no Brasil, num país em que muitas pessoas não têm o costume de ler livros, os quadrinhos podem ser sim uma grande porta de entrada. Eles funcionam como uma ponte: primeiro a criança se encanta com a história, com os personagens, com a narrativa visual, e depois a criança vai ganhando repertório e segurança para avançar para textos mais longos e complexos.”
A evolução tecnológica transpôs as HQs do papel para o ambiente digital, transformando tanto os processos de produção quanto os hábitos de consumo. Em plataformas de redes sociais, a leitura torna-se mais fragmentada e acelerada, ditada por algoritmos que privilegiam temas em alta. A quadrinista Elô D’Ângelo aponta algumas diferenças em relação ao público consumidor dos livros impressos.
“Eu sinto que eu não tenho muito tempo dentro do próprio quadrinho, dentro do próprio post, né, que eu estou fazendo, para abordar temas muito complexos. Então, geralmente nas redes sociais, o que que eu faço? Eu desmembro aquele tema. Ao invés de eu fazer um único post que vai tratar do tema inteiro, eu faço pequenos posts, faço episódios, faço partes daquela narrativa para depois até juntar em livro, alguma coisa assim. É muito difícil você captar a atenção das pessoas nas redes sociais.”
Para Elô, além de um simples material de leitura, a HQ também é uma porta de entrada para desenvolver o pensamento crítico.
Em um cenário em que mais da metade dos brasileiros não cultiva o hábito da leitura — conforme dados de 2024 do Instituto Pró-Livro — as histórias em quadrinhos continuam sendo uma alternativa para reverter esse quadro.
*Sob supervisão de Fábio Cardoso
Cultura
Conheça a história por trás da tradição das bandeirolas juninas
Durante os festejos juninos, elas enfeitam ruas e praças. Mas muito antes de virarem decoração, as bandeirolas tinham um significado religioso. A tradição chegou ao Brasil com os portugueses e foi se transformando ao longo dos séculos. O professor de História Ricardo Carvalho explica diferentes versões para o surgimento deste costume.

“A origem é bem mais distante daqui, mais ancestral. Já existia mesmo nas comemorações pagãs na Europa Ocidental, principalmente durante o solstício de verão, que é essa época mais ou menos do mês de junho. Eram comemorações em que se acendia fogueiras, que se colocava adereços, estandartes saudando a fertilidade, saudando aquele período de abundância que começava a ser marcado por esse período. E aí, com a cristianização da Europa, essas práticas pagãs acabaram de alguma forma sendo incorporadas dentro do imaginário cristão ocidental. Então, as festas de Santo Antônio, de São João e São Pedro acabaram adotando os estandartes com os santos, essas bandeiras com os santos, que faziam parte de um ato de devoção, mas, ao mesmo tempo, da liturgia católica em progressão na Europa. Com o trabalho jesuíta aqui no Brasil, o trabalho de catequese, que foi toda a aculturação cristã vinda através da Companhia de Jesus, essas práticas também foram incorporadas aqui aos festejos. Mas, curiosamente, não é essa a única teoria da origem das bandeirolas para os festejos juninos. Há alguns historiadores que defendem que elas vieram também do contato dos portugueses, durante a expansão marítimo-comercial, eles chegaram a ter contato com tradições budistas, no Himalaia, na região da Ásia Oriental, e que era muito costume se colocar orações budistas em bandeirolas coloridas. Talvez essa influência também tenha marcado essa presença portuguesa e que acabou migrando para os nossos festejos aqui no Brasil.”
Com o tempo, as antigas referências visuais foram dando lugar às cores e aos recortes geométricos que, hoje, marcam a decoração dos arraiás.
“As bandeirolas passam a ter um significado muito rico. Elas são quase que uma arquitetura efêmera, fazem parte de um componente de um teto novo que faz as praças se transformarem em arraiás, as ruas em desfiles de quadrilhas. Então é muito forte.”
Por isso, mais do que enfeites, estes símbolos ajudam a manter viva uma das mais belas tradições da cultura brasileira.
-
Entretenimento4 dias atrásLaís Caldas e Gustavo Marsengo mostram pela primeira vez o rostinho da filha Alice
-
Saúde6 dias atrásPesquisas sobre saúde da mulher terão investimentos de R$ 60 milhões
-
Cáceres4 dias atrásEscola Municipal Dr. José Rodrigues Fontes promove palestra sobre ansiedade e saúde mental para estudantes
-
Entretenimento6 dias atrásDidi Wagner celebra formatura da filha em Yale e se emociona com conquista: ‘Formou’
-
Entretenimento4 dias atrásGraciele Lacerda revela susto com saúde da filha e procedimento feito: ‘Anestesia geral’
-
Cultura4 dias atrásSesc SP tem programação especial para celebrar a Copa de 2026
-
Entretenimento3 dias atrásGrávida, Gabriely Miranda mostra mansão onde ficará hospedada durante Copa 2026
-
Entretenimento7 dias atrásLuma Cesar mostra presentes trazidos do Japão pelos pais e se declara: ‘Amo vocês’