Cultura
Fantaspoa chega à 22ª edição com 200 filmes em Porto Alegre
Cultura
O Festival Internacional de Cinema Fantástico de Porto Alegre, o Fantaspoa, está de volta à capital gaúcha na edição de número 22. Com foco nos filmes de fantasia, ficção científica, horror e thriller, o evento acontece em cinco salas da cidade.

Até o dia 26 de abril, o público tem a chance de conferir cerca de 200 filmes, entre curtas e longas-metragens – muitos inéditos no país. O Fantaspoa acontece desde 2005 e se consolidou como um dos principais festivais dedicados ao cinema fantástico na América Latina.
A programação traz filmes de 41 países, com produções que circularam por festivais internacionais como de Cannes, Toronto e de Berlim.
Entre as estreias está “Loucura nos bastidores”, filme do Quirguistão, o longa nacional “Covil”, dirigido por Rodrigo Lages e “Carne Mata”, produção dos Países Baixos sobre uma jovem ativista que se infiltra numa fazenda para filmar a crueldade sofrida pelos porcos.
O festival também celebra clássicos como Carrie, A Estranha, de Brian De Palma, lançado há 50 anos; e Fausto, filme do expressionismo alemão de F.W.Murnau, que completa 100 anos.
Além das exibições, o evento também traz palestras, masterclasses, debates e sessões comentadas. As sessões acontecem nas salas da Cinemateca Capitólio, Cinemateca Paulo Amorim, CineBancários, Instituto Ling e Sala Redenção da UFRGS. No Capitólio, são cinco sessões diárias, de terça à domingo. No próximo sábado, acontece o Madrugadão Fantaspoa, a partir das 23h, com quatro filmes madrugada adentro.
E quem não está em Porto Alegre pode assistir a etapa online do festival a partir desta sexta-feira: são 73 curtas-metragens disponíveis gratuitamente na plataforma Darkflix Plus. Mais detalhes do festival no site fantaspoa.com.
Cultura
Conheça a história por trás da tradição das bandeirolas juninas
Durante os festejos juninos, elas enfeitam ruas e praças. Mas muito antes de virarem decoração, as bandeirolas tinham um significado religioso. A tradição chegou ao Brasil com os portugueses e foi se transformando ao longo dos séculos. O professor de História Ricardo Carvalho explica diferentes versões para o surgimento deste costume.

“A origem é bem mais distante daqui, mais ancestral. Já existia mesmo nas comemorações pagãs na Europa Ocidental, principalmente durante o solstício de verão, que é essa época mais ou menos do mês de junho. Eram comemorações em que se acendia fogueiras, que se colocava adereços, estandartes saudando a fertilidade, saudando aquele período de abundância que começava a ser marcado por esse período. E aí, com a cristianização da Europa, essas práticas pagãs acabaram de alguma forma sendo incorporadas dentro do imaginário cristão ocidental. Então, as festas de Santo Antônio, de São João e São Pedro acabaram adotando os estandartes com os santos, essas bandeiras com os santos, que faziam parte de um ato de devoção, mas, ao mesmo tempo, da liturgia católica em progressão na Europa. Com o trabalho jesuíta aqui no Brasil, o trabalho de catequese, que foi toda a aculturação cristã vinda através da Companhia de Jesus, essas práticas também foram incorporadas aqui aos festejos. Mas, curiosamente, não é essa a única teoria da origem das bandeirolas para os festejos juninos. Há alguns historiadores que defendem que elas vieram também do contato dos portugueses, durante a expansão marítimo-comercial, eles chegaram a ter contato com tradições budistas, no Himalaia, na região da Ásia Oriental, e que era muito costume se colocar orações budistas em bandeirolas coloridas. Talvez essa influência também tenha marcado essa presença portuguesa e que acabou migrando para os nossos festejos aqui no Brasil.”
Com o tempo, as antigas referências visuais foram dando lugar às cores e aos recortes geométricos que, hoje, marcam a decoração dos arraiás.
“As bandeirolas passam a ter um significado muito rico. Elas são quase que uma arquitetura efêmera, fazem parte de um componente de um teto novo que faz as praças se transformarem em arraiás, as ruas em desfiles de quadrilhas. Então é muito forte.”
Por isso, mais do que enfeites, estes símbolos ajudam a manter viva uma das mais belas tradições da cultura brasileira.
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