Cultura
Flipetrópolis homenageia Antônio Torres, romancista do sertão
Cultura
Petrópolis, a cidade imperial localizada na região serrana do Rio de Janeiro, sedia a partir desta quinta-feira (27) a segunda edição do Flipetrópolis, o festival literário internacional repleto de atrações. Uma oportunidade única de curtir os encantos do local e mergulhar no universo dos livros!

O festival acontece no tradicional Palácio de Cristal, construção histórica de ferro e vidro que recebe alguns dos principais eventos culturais da cidade. Entre as atividades realizadas estão lançamentos, debates, oficinas e exposições.
Curador da programação regional do evento, Marcelo Fernandes, destaca a mesa de abertura como uma das atrações principais.
“É uma homenagem ao Alceu Amoroso Lima, que é o patrono da edição, e é uma mesa redonda com o Leonardo Boff, a Maria Helena Rochellas, que é a curadora da Casa Alceu Amoroso Lima para a Liberdade aqui em Petrópolis, o Leandro Garcia, que é um especialista na obra dele, e o Chiquito Afonso, que é neto do Dr. Alceu e um dos biógrafos dele também, uma biografia muito recente”.
O autor homenageado desta edição é o romancista Antônio Torres, membro da Academia Brasileira de Letras e da Academia Petropolitana de Letras, que aborda em suas obras a experiência do sertão e a identidade literária brasileira.
Entre os grandes nomes que participam do evento estão Ana Maria Machado, Conceição Evaristo e Itamar Vieira Júnior.
O curador Marcelo Fernandes acrescenta que a expectativa é superar o número de participantes da edição anterior.
“No ano passado nós tivemos quase 40 mil pessoas passando pelo festival nos quatro dias. Então, sendo uma edição inaugural e a gente quase 40 mil, acho que foram 37 mil espectadores, eu imagino que esse ano o público seja maior”.
O Flipetrópolis conta com o apoio do Ministério da Cultura e vai até domingo. A entrada é gratuita.
Cultura
Conheça a história por trás da tradição das bandeirolas juninas
Durante os festejos juninos, elas enfeitam ruas e praças. Mas muito antes de virarem decoração, as bandeirolas tinham um significado religioso. A tradição chegou ao Brasil com os portugueses e foi se transformando ao longo dos séculos. O professor de História Ricardo Carvalho explica diferentes versões para o surgimento deste costume.

“A origem é bem mais distante daqui, mais ancestral. Já existia mesmo nas comemorações pagãs na Europa Ocidental, principalmente durante o solstício de verão, que é essa época mais ou menos do mês de junho. Eram comemorações em que se acendia fogueiras, que se colocava adereços, estandartes saudando a fertilidade, saudando aquele período de abundância que começava a ser marcado por esse período. E aí, com a cristianização da Europa, essas práticas pagãs acabaram de alguma forma sendo incorporadas dentro do imaginário cristão ocidental. Então, as festas de Santo Antônio, de São João e São Pedro acabaram adotando os estandartes com os santos, essas bandeiras com os santos, que faziam parte de um ato de devoção, mas, ao mesmo tempo, da liturgia católica em progressão na Europa. Com o trabalho jesuíta aqui no Brasil, o trabalho de catequese, que foi toda a aculturação cristã vinda através da Companhia de Jesus, essas práticas também foram incorporadas aqui aos festejos. Mas, curiosamente, não é essa a única teoria da origem das bandeirolas para os festejos juninos. Há alguns historiadores que defendem que elas vieram também do contato dos portugueses, durante a expansão marítimo-comercial, eles chegaram a ter contato com tradições budistas, no Himalaia, na região da Ásia Oriental, e que era muito costume se colocar orações budistas em bandeirolas coloridas. Talvez essa influência também tenha marcado essa presença portuguesa e que acabou migrando para os nossos festejos aqui no Brasil.”
Com o tempo, as antigas referências visuais foram dando lugar às cores e aos recortes geométricos que, hoje, marcam a decoração dos arraiás.
“As bandeirolas passam a ter um significado muito rico. Elas são quase que uma arquitetura efêmera, fazem parte de um componente de um teto novo que faz as praças se transformarem em arraiás, as ruas em desfiles de quadrilhas. Então é muito forte.”
Por isso, mais do que enfeites, estes símbolos ajudam a manter viva uma das mais belas tradições da cultura brasileira.
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