Cultura
Projetos levam arte e cultura ao Instituto Dragão do Mar, em Fortaleza
Cultura
Instituto Dragão do Mar e Ministério da Cultura desenvolvem a campanha Cultura nas Trincheiras da Alegria. O investimento é de R$ 4 milhões da Petrobras via Lei Rouanet. A iniciativa é realizada em parceria com a Secretaria da Cultura do Ceará. A diretora presidente do Instituto Dragão do Mar, Raquel Gadelha, fala sobre a campanha:

“Ela fala muito desse fim de ano, de resistência, estar a cultura nas trincheiras, mas também a trincheira da alegria, porque a gente se sente vitorioso e a gente chega nesse final de ano com muitos motivos para celebrar. Essa campanha reúne diversas programações, diversos equipamentos, promove a nossa cultura como força mobilizadora, simbólica, democrática”, diz.
Integram a ação quatro projetos: um deles é a Exposição Bloco do Prazer, que pode ser visitada até maio de 2026 no Museu de Arte Contemporânea do Ceará. A diretora presidente, Raquel Gadelha, comenta que a mostra:
“Ela já aconteceu no Rio de Janeiro. A exposição faz uma homenagem ao cearense Fausto Nilo, inspirada em uma letra de música dele. E é uma grande exposição sobre as festas brasileiras, sobre o Carnaval, mas aqui também no Ceará, sobre Maracatu e nossas outras expressões. Então, são mais de 200 obras de artistas do Brasil e do Ceará”, afirma.
Outro projeto é o “Faz a Cena: Trilhas e Conexões”, com formações gratuitas. Raquel Gadelha enfatiza o objetivo:
“Capacitar pessoas para o exercício da arte e da cultura, para as novas vocações produtivas nas áreas técnicas, de tecnologia e de acessibilidade no campo das artes e da cultura. Serão oficinas oferecidas de sons, materiais, imagens em cena, tecnologias do sensível em cena e inovação para as artes”, completa.
Também há o projeto “Sericênica”, com espetáculos no Teatro José de Alencar e no Cine Teatro São Luiz. Outro destaque é o seminário “Redes de Criação”, com encontros em março de 2026 para fortalecer redes de produção artística e políticas culturais.
Cultura
Conheça a história por trás da tradição das bandeirolas juninas
Durante os festejos juninos, elas enfeitam ruas e praças. Mas muito antes de virarem decoração, as bandeirolas tinham um significado religioso. A tradição chegou ao Brasil com os portugueses e foi se transformando ao longo dos séculos. O professor de História Ricardo Carvalho explica diferentes versões para o surgimento deste costume.

“A origem é bem mais distante daqui, mais ancestral. Já existia mesmo nas comemorações pagãs na Europa Ocidental, principalmente durante o solstício de verão, que é essa época mais ou menos do mês de junho. Eram comemorações em que se acendia fogueiras, que se colocava adereços, estandartes saudando a fertilidade, saudando aquele período de abundância que começava a ser marcado por esse período. E aí, com a cristianização da Europa, essas práticas pagãs acabaram de alguma forma sendo incorporadas dentro do imaginário cristão ocidental. Então, as festas de Santo Antônio, de São João e São Pedro acabaram adotando os estandartes com os santos, essas bandeiras com os santos, que faziam parte de um ato de devoção, mas, ao mesmo tempo, da liturgia católica em progressão na Europa. Com o trabalho jesuíta aqui no Brasil, o trabalho de catequese, que foi toda a aculturação cristã vinda através da Companhia de Jesus, essas práticas também foram incorporadas aqui aos festejos. Mas, curiosamente, não é essa a única teoria da origem das bandeirolas para os festejos juninos. Há alguns historiadores que defendem que elas vieram também do contato dos portugueses, durante a expansão marítimo-comercial, eles chegaram a ter contato com tradições budistas, no Himalaia, na região da Ásia Oriental, e que era muito costume se colocar orações budistas em bandeirolas coloridas. Talvez essa influência também tenha marcado essa presença portuguesa e que acabou migrando para os nossos festejos aqui no Brasil.”
Com o tempo, as antigas referências visuais foram dando lugar às cores e aos recortes geométricos que, hoje, marcam a decoração dos arraiás.
“As bandeirolas passam a ter um significado muito rico. Elas são quase que uma arquitetura efêmera, fazem parte de um componente de um teto novo que faz as praças se transformarem em arraiás, as ruas em desfiles de quadrilhas. Então é muito forte.”
Por isso, mais do que enfeites, estes símbolos ajudam a manter viva uma das mais belas tradições da cultura brasileira.
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