Cultura
A Revolução Pernambucana de 1817: Breve Independência e Seu Legado no Brasil
Cultura
A expressão popular "Pernambuco, meu país" encontra sua raiz em um período histórico real: a Revolução Pernambucana de 1817. Em 6 de março daquele ano, a província declarou-se independente de Portugal, um feito notável, embora de curta duração, estendendo-se por pouco mais de dois meses. A principal motivação para o levante era a crescente insatisfação com a pesada carga tributária imposta pela coroa portuguesa, especialmente após a transferência da sede do império para o Rio de Janeiro. A ironia de Pernambuco financiar a iluminação pública da nova capital, enquanto muitas de suas próprias cidades permaneciam no escuro, tornou-se um símbolo do descontentamento que levou à ruptura.
As Raízes da Rebelião
O professor de História Luciano Vasconcelos explica que, após 1808, a presença da corte no Rio de Janeiro intensificou a arrecadação de impostos e outras cobranças. Isso gerou um profundo ressentimento na população pernambucana, que se sentia sobrecarregada ao sustentar um centro de poder distante. Além das questões financeiras, a concentração de poder na capital imperial agravava problemas locais, incluindo a distribuição de investimentos e a disputa por cargos. Elites locais manifestavam incômodo com a preferência dada a portugueses em postos administrativos e militares. Esse cenário de tensão foi ainda mais acentuado por fatores imediatos, como a severa seca de 1816 e os consequentes problemas de abastecimento, que elevaram a efervescência social às vésperas do levante.
O Levante, a Repressão e Suas Consequências Duradouras
A Revolução Pernambucana contou com apoio de diversos segmentos da sociedade e foi inspirada por outros movimentos emancipacionistas, como o dos Estados Unidos. Contudo, após 75 dias de autonomia, o movimento foi violentamente sufocado, culminando na derrota em 20 de maio de 1817. A coroa portuguesa não apenas reprimiu a insurreição, mas também determinou uma "devassa" — um processo de investigação e julgamento — e aplicou punições severas para inibir futuras rebeliões. Uma das sanções mais significativas foi a criação da Capitania das Alagoas em 16 de setembro de 1817, desmembrando-a de Pernambuco. Essa decisão representou uma punição política e administrativa com efeitos diretos e duradouros no mapa regional do Brasil.
Hoje, o legado da Revolução Pernambucana persiste. A bandeira de Pernambuco é um dos seus maiores símbolos, sendo inspirada diretamente nos ideais de 1817. O feriado estadual de 6 de março homenageia essa data fundamental, reforçando o orgulho dos pernambucanos e sua contribuição pioneira para a ideia de República no Brasil.
<i>Este conteúdo foi adaptado pela nossa redação a partir de informações originais de Fonte Original. Imagens: Reprodução / Créditos originais mantidos na fonte.</i>
Fonte: https://agenciabrasil.ebc.com.br
Cultura
Fanfarras são tradição em desfiles em memória da Independência Baiana
No 2 de Julho, as ruas do centro histórico de Salvador não celebram apenas a história. Elas ganham ritmo. Entre os personagens mais marcantes dessa engrenagem cultural estão as fanfarras escolares, que desfilam todos os anos, arrastando multidões e mantendo viva a memória da Independência Baiana.

Sob a liderança de Valteir Menezes, a Banda Marcial da Escola Municipal da Palestina (Bamup) reúne há 15 anos cerca de 60 jovens e veteranos da comunidade em uma rotina rigorosa que lhes rendeu o bicampeonato baiano. O regente, à frente da banda há mais de uma década, fala como surgiu a queridinha do bairro.
“A Bamup nasceu no dia 16 de abril de 2011 na própria sede aqui da Escola Municipal da Palestina. E ela nasceu não como fanfarra da rede, e sim como projeto Mais Educação na época. Um ano depois de ela ter surgido, eu fui convidado pela coordenação da SMED para a banda deixar de fazer parte do projeto Mais Educação para fazer parte das fanfarras da rede municipal. Foi quando recebemos o instrumental em 2012, todo instrumental dela de fanfarra, e daí em diante a gente passou a fazer parte de todos os desfiles cívicos do 2 de Julho de lá até aqui. Nessa trajetória de 15 anos, a fanfarra foi consagrada bicampeã baiana no campeonato que ela disputa desde de 2013. E em 2020, quando acabou a pandemia, nós nos tornamos banda marcial e retornamos as atividades em 2022. Em 2023, a banda foi para a sua primeira disputa como banda marcial e ela foi campeã. Em 2024 também fomos campeões baianos de novo como banda marcial.”
A alguns quilômetros da Palestina, a Famtesa, Fanfarra da Escola Municipal Teodoro Sampaio, em Pirajá, é quem comanda o tom. Mr. Ball, maestro da fanfarra há mais de 25 anos, defende que o projeto, além de ser uma maneira de mostrar que nas comunidades existem muitos jovens talentosos, também é uma ferramenta de transformação social para a juventude local.
“Eu vejo a fanfarra na vida desses jovens na escola de bastante produção. Porque a fanfarra na escola, aqui, por exemplo, ajudou muito a disciplina dos alunos, o interesse deles com estudo. Eles se dedicaram mais aos estudos, diminuiu muito a evasão desses meninos na escola. E o mais importante, ajudou muito com que o tráfico não venha recrutar eles; a música num todo contribuiu muito com isso, pode ter certeza.”
Para além do civismo, o movimento das fanfarras em Salvador cumpre um papel social indispensável nas periferias e escolas públicas, funcionando como refúgio criativo e uma vitrine de talentos durante o ano inteiro.
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