A composição ministerial do governo Luiz Inácio Lula da Silva tornou-se ainda mais masculina após as recentes trocas desta semana, motivadas pela saída de auxiliares para disputar as eleições. Antes dessas mudanças, as 38 pastas ministeriais contavam com dez mulheres e 28 homens. Atualmente, o número de mulheres em ministérios foi reduzido para oito, enquanto os homens ocupam 30 cargos. Esta diminuição ocorre justamente quando o presidente intensifica esforços para atrair o eleitorado feminino.
Composição Ministerial e Alterações Recentes
Quando o presidente Lula iniciou seu terceiro mandato, o governo contava com 11 mulheres e 26 homens à frente de 37 ministérios, marcando um avanço em relação aos quatro ministras presentes no começo de seus dois primeiros governos. As alterações mais recentes na Esplanada, que agora soma 38 pastas, foram oficializadas com o fim do prazo de desincompatibilização.
Nesta semana, deixaram o governo Gleisi Hoffmann (Secretaria de Relações Institucionais), Simone Tebet (Planejamento e Orçamento), Marina Silva (Meio Ambiente), Macaé Evaristo (Direitos Humanos), Anielle Franco (Igualdade Racial) e Sônia Guajajara (Povos Indígenas), todas para buscar candidaturas eleitorais. Para o Planejamento, Meio Ambiente e Povos Indígenas, os novos titulares são homens: Bruno Moretti, João Paulo Capobianco e Eloy Terena, respectivamente. No Ministério dos Direitos Humanos, assumiu Janine Mello dos Santos, e na Igualdade Racial, Rachel Barros de Oliveira, ambas secretárias executivas das pastas. A Secretaria de Relações Institucionais, anteriormente chefiada por Gleisi Hoffmann, tem como principais cotados para substituição José Guimarães, Otto Alencar e Wellington Dias, todos homens. Em contraponto, Miriam Belchior (Casa Civil) e Fernanda Machiaveli (Desenvolvimento Agrário) substituem titulares masculinos. As ministras Esther Dweck (Gestão e Inovação), Luciana Santos (Ciência e Tecnologia), Márcia Lopes (Mulheres) e Margareth Menezes (Cultura) permanecem em seus cargos.
A Redução e a Visão da Bancada Feminina
A participação feminina no governo, mesmo com as recentes trocas, ainda supera a composição do Ministério de Jair Bolsonaro (PL) no mesmo período, que contava com 22 homens e apenas uma mulher após as desincompatibilizações. No entanto, a deputada Jack Rocha (PT-ES), coordenadora da bancada feminina na Câmara, expressa preocupação com a atual configuração.
Rocha reconhece o avanço e o protagonismo das ministras que atuaram no governo, destacando que elas ocuparam esses espaços por mérito e compromisso com a agenda das mulheres. Contudo, ela alerta que a representatividade feminina ainda está aquém do que a democracia brasileira exige, visto que as mulheres são maioria na sociedade, mas minoria nos espaços de decisão. Para a deputada, a redução do número de ministras 'acende um alerta', enfatizando que a presença feminina precisa ser estruturante, não episódica. Ela ressalta que a busca pela paridade é um desafio amplo, que abrange não apenas o Executivo, mas também o Parlamento e o Judiciário.
Estratégia Eleitoral e o Eleitorado Feminino
Paralelamente à diminuição da representatividade feminina nos ministérios, o Palácio do Planalto intensifica sua estratégia para atrair o eleitorado feminino, que representa 52,5% do total, segundo o Tribunal Superior Eleitoral (TSE). Pesquisas indicam que mulheres são mais suscetíveis a mudanças de voto.
Desde o final do ano passado, o presidente Lula incorporou o enfrentamento ao feminicídio e o combate à violência contra a mulher como prioridades da gestão, sinalizando o uso desses temas como bandeira eleitoral na campanha de reeleição. Este movimento ocorre em um contexto de altos índices de feminicídios no país, que representam um desafio significativo para a credibilidade dessa agenda. Concorrentes, como o senador Flávio Bolsonaro (PL), também têm direcionado esforços para esse segmento do eleitorado.
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