Opinião
2026: um compromisso inegociável com a vida das mulheres
Opinião
Por: Virginia Mendes
Encerramos 2025 com a consciência de que houve avanços, mas também com o coração apertado por tudo aquilo que ainda não conseguimos evitar. Como primeira-dama de Mato Grosso, e sobretudo como mulher, mãe e cidadã, não posso fechar este ano sem reconhecer a dor deixada por cada vida perdida para o feminicídio. Cada mulher assassinada representa uma família destruída, histórias interrompidas e um vazio que nenhuma política pública consegue reparar por completo.
Nos últimos anos, o Governo do Estado ampliou ações concretas de proteção às mulheres. O programa SER Família Mulher, o fortalecimento da Patrulha Maria da Penha e a integração entre as redes de assistência social e segurança pública são exemplos de políticas que nasceram do compromisso de cuidar, acolher e proteger. São avanços reais, que produzem resultados e salvam vidas. Ainda assim, não são suficientes enquanto uma única mulher continuar sendo ameaçada, agredida ou morta.
É por isso que 2026 precisa ser um ano ainda mais justo. Um ano de atenção redobrada às mulheres que vivem em situação de vulnerabilidade, silêncio ou medo. Precisamos avançar não apenas na ampliação de programas, mas também na mudança de mentalidade, no fortalecimento das instituições e na aplicação rigorosa da lei. Muitas vezes, a sensação é de estarmos enxugando o gelo diante de uma violência que insiste em se repetir, e isso exige de nós mais firmeza e coragem.
Lamento profundamente por cada mãe, filha, irmã e amiga que teve sua trajetória interrompida pela violência. Essas perdas não podem ser tratadas como números ou estatísticas. Elas exigem indignação responsável, ação contínua e decisões firmes para que não se repitam.
Registro meu agradecimento sincero a toda a rede de apoio que atua diariamente na proteção das mulheres. Aos policiais, delegados e delegadas, à Secretaria de Segurança Pública, ao comandante-geral, às equipes da Patrulha Maria da Penha e a todos os profissionais envolvidos nessa missão. Muito obrigada por se unirem a nós nessa luta. Esse não é um desafio exclusivo de Mato Grosso. É uma realidade que atravessa todo o Brasil e só será enfrentada com união, responsabilidade e compromisso coletivo. Destaco ainda a atuação da senadora Margareth, autora de leis fundamentais para a proteção de mulheres e crianças, que representam avanços concretos na defesa da vida e da dignidade.
Neste último dia do ano, reafirmo meu compromisso pessoal e institucional. Vou continuar lutando por cada mulher e por cada vida, independentemente de qualquer circunstância. Vou seguir defendendo leis mais firmes e eficazes, inclusive com punições severas, como a prisão perpétua para quem planejar, tentar ou cometer crimes contra mulheres. A impunidade não pode ser uma opção. Quem destrói vidas precisa ser responsabilizado com o máximo rigor, e a violência jamais pode ser relativizada.
Acredito que é assim que se constrói um futuro melhor, com coragem, responsabilidade e compromisso com a vida. Que 2026 nos encontre mais atentos, mais unidos e mais firmes na defesa das mulheres. Esse é um caminho sem volta, e é nele que seguirei.
Que possamos cultivar mais amor e mais empatia nos corações das pessoas. Menos ódio e mais amor. Que Deus abençoe todas as famílias mato-grossenses.
Virginia Mendes é primeira-dama de Mato Grosso e idealizadora de políticas públicas voltadas à proteção social e ao enfrentamento da violência contra as mulheres.
Opinião
Quando os olhos falam
Por Kamila Garcia
Em uma sociedade marcada pela pressa, pelo excesso de ruído e pela superficialidade das interações, resiste uma linguagem silenciosa que, muitas vezes, diz mais do que qualquer discurso: o olhar.
Desde os primeiros momentos da vida, o ser humano aprende a se comunicar por meio da sensorialidade. O toque acolhe, o som orienta, os aromas despertam memórias e o paladar traduz experiências. No entanto, enquanto os outros sentidos processam o mundo exterior, é no olhar que a subjetividade encontra seu palco principal. Mais do que a visão — função biológica de captar luz —, o olhar é um ato psíquico: ele interpreta, revela e devolve o mundo carregado de intenção.
Não por acaso, Leonardo da Vinci afirmou que os olhos são “as janelas da alma”. A frase atravessa os séculos com frescor porque traduz uma evidência cotidiana: o olhar expõe as emoções que a retórica tenta camuflar. Medo, insegurança, afeto, dor e esperança encontram nos olhos um canal direto e, frequentemente, involuntário de manifestação. É a verdade nua que escapa pelo brilho da pupila ou pelo peso de uma pálpebra.
Mais do que instrumento de percepção, o olhar é um exercício de presença. Em tempos de relações mediadas por telas, onde o contato visual é substituído pelo consumo de pixels e notificações, a capacidade de sustentar o olhar do outro tornou-se um gesto raro — e, por isso mesmo, revolucionário. Enquanto a tela é estática e segura, o olho no olho exige disponibilidade, vulnerabilidade e, sobretudo, coragem. É o momento em que deixamos de observar um objeto para reconhecer um sujeito.
A recusa desse encontro não é apenas um detalhe comportamental; é, em muitos casos, um sintoma do distanciamento emocional e da dificuldade em lidar com a própria interioridade. Como observou Carl Jung: “Quem olha para fora, sonha; quem olha para dentro, desperta”. O olhar, portanto, é bidirecional — ele reflete para o mundo o grau de consciência que temos de nós mesmos.
Nesse contexto, o olhar ocupa um lugar singular entre os sentidos. Ele organiza a realidade externa ao mesmo tempo em que traduz aquilo que não cabe na gramática. Os olhos falam quando a voz silencia. Revelam quando o discurso falha. E, com frequência, denunciam o que o ego tenta ocultar.
Resgatar o valor do olhar é resgatar a autenticidade das relações humanas. É reconhecer que, para além da performance das aparências e do filtro das redes, existe uma verdade que se manifesta de maneira simples, direta e inevitável.
Porque, no fim, quando os olhos falam, eles não apenas se comunicam. Eles revelam.
*Kamila Garcia é bacharel em Língua Portuguesa e Literatura Brasileira, com pós-graduação em Psicanálise. Atualmente é estudante de Psicologia.
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