Opinião
A força da mulher advogada na construção da justiça
Opinião
*Por Caroline Tomelero
Há algo único na trajetória de cada mulher advogada. Carregamos conosco histórias de coragem, escolhas difíceis, dias de exaustão e momentos de descoberta. Muitas de nós aprendemos cedo que seria preciso ocupar espaços que, por muito tempo, não foram pensados para as mulheres. Ainda assim, seguimos. Estudamos, trabalhamos, criamos nossos filhos, construímos carreiras e abrimos portas para outras tantas.
Dentro da advocacia e da advocacia pública, esse percurso ganha contornos ainda mais intensos. Lidar com prazos, demandas urgentes e decisões complexas exige preparo técnico e equilíbrio emocional. Mas exige, sobretudo, persistência. Persistência para seguir adiante mesmo quando a jornada parece pesada. Persistência para provar, dia após dia, que competência não tem gênero.
As procuradoras do Estado de Mato Grosso têm mostrado isso com firmeza. Ocupam posições estratégicas, enfrentam temas sensíveis, dão forma à segurança jurídica e fortalecem a confiança na atuação do Estado. Não há avanço institucional sem o olhar atento, a sensibilidade e a competência dessas profissionais.
Assim, quando chegamos ao Dia da Mulher Advogada, celebrado em 15 de dezembro, encontramos um momento que simboliza tudo isso. A data reconhece esse percurso, reafirma o valor de cada trajetória e nos lembra de que a construção de uma justiça mais plural passa, necessariamente, pela presença feminina. Cada mulher que ingressa na carreira carrega consigo não apenas conhecimento, mas também uma visão que amplia o debate e qualifica a tomada de decisão.
Também não podemos ignorar a importância das redes de apoio. A força que nasce do incentivo entre colegas, da troca de experiências e do reconhecimento mútuo sustenta muitas de nós em momentos de grande pressão. Quando nos vemos umas nas outras, reforçamos a certeza de que não caminhamos sozinhas.
Como presidente da Apromat, reafirmo o compromisso com um ambiente de trabalho que respeite, valorize e reconheça a contribuição feminina. Queremos que nossas procuradoras cresçam, se sintam representadas e encontrem, na instituição, espaço para exercer sua profissão com dignidade e autenticidade.
Que este dia seja uma celebração da nossa força e da nossa presença. Que seja o reconhecimento de que seguimos transformando realidades e construindo, com firmeza e humanidade, a justiça que a sociedade espera de nós.
*Caroline Tomelero é presidente da Associação dos Procuradores do Estado de Mato Grosso (Apromat) e presidente da Comissão do Advogado Público da OAB-MT.
Opinião
Fibrose Cística: quando a informação acolhe e salva vidas
*Por Katiuscia Manteli
A fibrose cística é uma doença que muitas vezes passa despercebida pela maioria da população, mas que transforma a rotina de quem convive com ela. Afeta a respiração, o sistema digestivo e, até mesmo, o simples ato de viver o dia a dia. Afeta famílias inteiras, que aprendem a adaptar horários, tratamentos e expectativas. Por isso, a criação do Dia Municipal de Conscientização e Divulgação da Fibrose Cística, instituído pela Lei nº 7.375 de 2025, representa um gesto de cuidado com pessoas que, na maior parte do tempo, lutam sem que suas histórias sejam conhecidas.
A data, celebrada em 5 de setembro, é uma oportunidade para que a sociedade volte o olhar para quem vive com a doença, para que o diagnóstico precoce seja incentivado e para que mais famílias recebam o apoio que precisam. Conhecimento salva vidas, e a lei nasce justamente para ampliar esse alcance.
As campanhas educativas, os seminários e todas as ações previstas são instrumentos que ajudam a tornar a cidade mais consciente. Quando pais reconhecem sinais que antes passariam despercebidos, quando um adolescente entende que sua dificuldade de respirar tem explicação e tratamento, quando profissionais de saúde estão mais preparados para orientar e acolher, estamos falando de uma mudança real. Informar é, também, uma forma de abraçar.
Outro ponto essencial é o acesso aos medicamentos e tratamentos adequados. Quem convive com a fibrose cística sabe o quanto essa garantia pode representar esperança. A lei chama atenção para essa necessidade e reforça o compromisso do poder público com a regularidade e a qualidade da assistência oferecida. Lembrar disso todo ano é uma forma de proteger vidas todos os dias.
A fibrose cística não pode continuar invisível. A criação desta data municipal é um passo importante para manter o tema presente, estimular o diálogo e mostrar às famílias que elas não enfrentam essa jornada sozinhas. Que esse dia fortaleça o cuidado e ajude a construir uma rede de apoio mais acolhedora e consciente.
Que esta lei abra portas para mais informação, mais acesso e mais esperança. E que cada pessoa afetada pela fibrose cística encontre, em Cuiabá, uma cidade que a acolhe, compreende suas necessidades e se compromete verdadeiramente com sua qualidade de vida.
*Katiuscia Manteli é jornalista e vereadora em Cuiabá (Podemos).
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