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Dezembro Vermelho: quando o cuidado acolhe e transforma vidas

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*Por Mara Nasrala

Existem temas que ainda exigem o silêncio de muita gente. Não por falta de coragem, mas pelo medo do julgamento. O HIV e a AIDS fazem parte dessa realidade que, muitas vezes, se esconde atrás de preconceitos, estigmas e informações distorcidas. Essa é a essência do Dezembro Vermelho, lembrar que a prevenção começa com diálogo e que o acolhimento é o primeiro passo para transformar vidas.

Por trás de cada diagnóstico existe uma história, uma família, um cotidiano interrompido por incertezas. E, ao mesmo tempo, existe também a possibilidade de recomeço, porque viver com HIV hoje não significa viver com medo. A ciência avançou, o tratamento evoluiu e a vida pode seguir sendo plena, ativa e cheia de planos. Quando a carga viral se torna indetectável, ela deixa de ser transmissível. Esse é um dos maiores avanços da saúde pública, e precisa ser conhecido por todos.

Mas tão importante quanto a informação é a forma como a oferecemos. Na Help Vida, entendemos que cuidar vai além dos exames, consultas e protocolos. Cuidar é abraçar a pessoa antes da condição. É ouvir sem pressa. É orientar sem julgar. É estar presente quando a coragem ainda está sendo reconstruída.

O preconceito ainda é, para muitos, uma barreira maior que o próprio vírus. Ele afasta, machuca, isola. E é por isso que o Dezembro Vermelho nos mostra que a empatia tem força para reconstruir a autoestima e abrir caminhos de esperança. A prevenção também nasce desse ambiente de acolhimento. Quando a informação circula com leveza e responsabilidade, ela protege. Ela salva.

Testar-se regularmente, buscar orientação, conversar abertamente sobre prevenção, tudo isso precisa ser tratado com naturalidade. A saúde nunca deveria ser motivo de vergonha. E, quando o cuidado é conduzido com humanidade, o medo perde espaço para a confiança.

Neste mês, reafirmamos nosso compromisso com aqueles que caminham conosco todos os dias. Queremos que cada pessoa se sinta vista, respeitada e acompanhada. Queremos ser o lugar onde a informação é clara, o tratamento é seguro e o acolhimento é real. Quando olhamos para a saúde com empatia, construímos não apenas vidas mais longas, mas também vidas mais leves, mais dignas e profundamente humanas.

*Mara Nasrala é Diretora Executiva da Help Vida.

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As Amélias de hoje

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Quando chega o mês da mulher, gosto de refletir sobre um tema que, durante muito tempo, foi mal interpretado: a figura da “Amélia”. Muita gente se lembra da música famosa de Ataulfo Alves e Mário Lago e associa o nome Amélia a uma mulher submissa, limitada ao lar ou reduzida ao papel de servir. Mas será que é isso mesmo que significa ser uma Amélia?

Eu penso diferente. Ao longo da minha trajetória, comecei a refletir sobre esse assunto quando ainda estava na faculdade. Em uma aula, recebemos o tema “Amélia” para uma redação. Naquele momento eu já era mãe e estava grávida do meu segundo filho. Quando escrevi meu texto, percebi que a visão predominante era de crítica à figura da Amélia, como se ela representasse algo negativo para a mulher.

Mas eu nunca enxerguei dessa forma, eu sempre acreditei que uma coisa não precisa substituir a outra… ela pode somar. Ser uma mulher ativa no mercado de trabalho não impede que ela também cuide da sua casa, da sua família ou dos seus afetos. Da mesma forma, dedicar-se à família não diminui a inteligência, a força ou a capacidade de uma mulher.

Quando comecei a pesquisar mais sobre o assunto, descobri algo interessante: o significado do nome Amélia não tem nada a ver com submissão. Muito pelo contrário, Amélia significa uma mulher vigorosa, ativa e trabalhadora e isso descreve perfeitamente muitas mulheres que conhecemos.

As Amélias de hoje são mulheres que trabalham, que empreendem, que lideram, que estudam, que cuidam da casa, que educam os filhos e que, muitas vezes, ainda sustentam suas famílias. São mulheres que enfrentam dificuldades, mas seguem firmes, construindo caminhos com coragem e resiliência.

No meu consultório, ao longo dos anos, ouvi inúmeras histórias de vida e posso dizer com segurança que muitas mulheres são verdadeiras parceiras na construção da vida familiar. Elas caminham ao lado, enfrentam momentos difíceis, ajudam a reorganizar a casa, apoiam os filhos e muitas vezes sustentam emocionalmente toda a estrutura da família, e isso representa força!

Ser Amélia hoje não significa abrir mão da autonomia ou da liberdade. Significa compreender que a mulher pode ocupar todos os espaços que desejar (no trabalho, na política, na ciência, na família ou onde mais escolher estar), mas também significa reconhecer que algumas qualidades tradicionalmente femininas, como o cuidado, a parceria, a capacidade de administrar múltiplas tarefas e de manter relações equilibradas, não devem ser desprezadas.

Essas qualidades não diminuem a mulher, pelo contrário, revelam sua grandeza. As Amélias de hoje são mulheres modernas, conscientes e protagonistas da própria história. São mulheres que trabalham, que sonham, que realizam e que, acima de tudo, constroem. Somos nós o cuidado e a delicadeza, ou seja, ser feminina não diminui, em nada, a nossa coragem.

Neste Mês Internacional da Mulher, minha reflexão é simples: que possamos valorizar todas as mulheres, em suas diferentes escolhas, trajetórias e formas de viver, porque, no final das contas, cada uma de nós carrega um pouco dessa força silenciosa, ativa e transformadora que sempre existiu nas verdadeiras Amélias.

Sonia Mazetto – Gestora de Potencial Humano, Terapeuta Integrativa, Fonoaudióloga e Palestrante

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