Opinião
O abandono silencioso do Centro Histórico
Opinião
*Por Rodrigo de Arruda e Sá
Nasci e cresci em Cuiabá. Como muitos cuiabanos da minha geração, guardo lembranças afetivas do Centro Histórico. Antes da chegada dos grandes shoppings, era ali que a vida acontecia.
No Calçadão, famílias faziam compras, encontravam amigos e movimentavam o comércio local. Lembro-me de acompanhar minha mãe pelas lojas tradicionais em busca de roupas, sapatos e artigos esportivos. Para nós, aquele era o nosso shopping.
Quem viveu aquela época certamente se recorda das vitrines cheias, das ruas movimentadas e da sensação de que o coração da cidade batia ali. Por isso, sempre que caminho pela região central, sinto uma mistura de nostalgia e preocupação.
Toda cidade possui um lugar que guarda sua memória. Em Cuiabá, esse lugar é o Centro Histórico. Ali está a alma da cidade. Ou pelo menos deveria estar.
Quem percorre hoje suas ruas encontra imóveis fechados, fachadas deterioradas, calçadas precárias e uma sensação crescente de abandono. O que deveria ser um dos principais cartões-postais de Cuiabá transformou-se, aos poucos, em uma região esquecida.
O problema não começou ontem nem pode ser atribuído a um único gestor. Trata-se de um processo acumulado ao longo de décadas, marcado pela falta de planejamento, de investimentos e de uma visão clara para a região.
Enquanto outras cidades compreenderam que preservar o patrimônio histórico também significa gerar emprego, atrair turistas e fortalecer a identidade local, Cuiabá continua tratando seu principal patrimônio urbano como questão secundária. O abandono do Centro não é apenas um problema arquitetônico. É um problema econômico, cultural e social.
Cada imóvel fechado representa atividade econômica perdida. Cada prédio deteriorado afasta visitantes, investidores e empreendedores que poderiam ajudar a revitalizar a região.
Uma cidade que abandona sua história dificilmente consegue construir seu futuro. E o mais paradoxal é que Cuiabá possui tudo o que precisa para transformar o Centro Histórico em uma das áreas mais vibrantes da cidade. Temos patrimônio arquitetônico, tradição cultural, gastronomia, religiosidade e uma história rica que poucas capitais brasileiras possuem.
O que falta é um projeto: uma estratégia capaz de reunir poder público, empresários, comerciantes e sociedade civil em torno de um objetivo comum. Não basta restaurar uma fachada ou reformar uma praça. É preciso pensar o Centro como um espaço vivo, onde as pessoas possam circular com segurança, empreender, consumir cultura e conviver.
As cidades que revitalizaram seus centros históricos compreenderam uma verdade simples: patrimônio preservado não é custo. É investimento. Investimento em turismo, em desenvolvimento econômico, em identidade e em qualidade de vida.
Por isso, a recuperação do Centro Histórico deveria ser uma prioridade estratégica para Cuiabá. Não apenas por respeito ao passado, mas por compromisso com o futuro. Mais do que recuperar prédios, precisamos recuperar o orgulho dos cuiabanos por sua própria história.
Como filho desta terra, não gostaria que as futuras gerações conhecessem o Centro Histórico apenas por fotografias antigas ou relatos de seus avós. Gostaria que pudessem caminhar por suas ruas, frequentar seus comércios e sentir o mesmo orgulho que muitos de nós sentimos um dia.
Porque preservar o Centro Histórico não é apenas conservar fachadas. É preservar a memória de quem fomos e a esperança de quem ainda podemos ser.
*Rodrigo de Arruda Sá é contador, bacharel em Direito, empresário e ex-vereador de Cuiabá.
Opinião
Da comida à recreação: todas as fases de uma festa infantil
*Por Edy Machado
Organizar uma festa infantil envolve expectativa, afeto e muitas decisões. Antes da data, as famílias já planejam cada detalhe. Escolhem o tema, definem os convidados e buscam alternativas que tornem a comemoração inesquecível para todos os presentes.
Por muito tempo, as festas infantis focaram na alimentação e nos momentos tradicionais. O bolo, os doces, os salgados e o parabéns sempre ocuparam lugar de destaque. Esses elementos continuam importantes, afinal, a comida tem um papel afetivo essencial. Ela reúne pessoas, cria conexões e faz parte das lembranças que carregamos. Quem não recorda de uma celebração pelo sabor de um doce preferido ou pelo momento de dividir a mesa com familiares? Essas memórias permanecem vivas porque representam encontros e carinho.
Ao mesmo tempo, as comemorações passam por transformações. Crianças de hoje buscam participação durante todo o evento. Elas querem brincar, explorar, descobrir novidades e compartilhar experiências com os colegas. A comemoração deixou de ser centrada em momentos específicos para se transformar em uma vivência completa.
Agora, a recreação passou a ocupar um espaço mais relevante. Não se trata de oferecer entretenimento passageiro, mas de proporcionar oportunidades para que os pequenos expressem a imaginação e construam lembranças. Brincar é uma necessidade da infância. É por meio das brincadeiras que as crianças aprendem, interagem e experimentam o mundo. Em um aniversário, essa dimensão ganha importância, pois está associada à alegria daquele dia.
A diversão não beneficia apenas os pequenos. Quando os filhos estão envolvidos em atividades seguras, os adultos aproveitam. Os pais conversam com tranquilidade, participam dos momentos em família e vivem a festa sem a preocupação de entreter as crianças.
A praticidade também é valorizada pelas famílias. A rotina exige espaços com estrutura completa, reunindo alimentação, lazer e conforto em um único ambiente. Essa integração facilita a organização e permite focar no que realmente importa, celebrar.
A segurança merece destaque. Toda família deseja que os filhos brinquem livremente em locais preparados. O planejamento e o monitoramento das atividades trazem confiança aos pais, tornando a experiência agradável. Como cada criança possui sua personalidade, oferecer diferentes opções de lazer acolhe perfis distintos, garantindo que todos se divirtam.
As festas infantis são fundamentais para a convivência familiar. Na correria diária, elas reúnem gerações, fortalecendo laços. Uma celebração vai além da decoração. O sucesso vem da união de fatores. O alimento acolhe, o espaço traz conforto e o lazer gera alegria. O que fica são as memórias dos momentos vividos, das risadas e do afeto. É isso que transforma uma festa em uma lembrança eterna.
Edy Machado é empresária e proprietária do Fly Park, em Cuiabá.
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