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Um Natal de luz

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Nos lares, as decorações de natalinas já causam encantamento. Luzes cintilando nas janelas, guirlandas penduradas nas portas. Uma mistura de sentimentos contagia a muitos. Uns ficam mais sentimentais, outros fazem reflexões sobre tudo que aconteceu até o momento presente.

Um dos símbolos mais bonitos nesta época do ano é a Árvore de Natal, que é tradicionalmente montada em um pinheiro. Ele é símbolo do Natal por ser uma árvore que apesar das adversidades permanece verde, sendo assim associada a perenidade da vida e a renovação. Nele colocamos enfeites brilhantes e coloridos e muitas luzes.

Quando fazemos o bem a alguém, também deixamos nela um pouco de luz. Quando acreditamos, apesar dos pesares, que uma vida ainda pode ser tocada, que um destino ainda pode ser transformado, espalhamos no mundo a esperança de dias melhores.

Que neste Natal possamos manter firme essa esperança, que ela permaneça viva como o pinheiro que enfrenta o inverno rigoroso, mas não esmorece. Ainda que algumas situações possam nos ter feito como que “perder o brilho” no decorrer do ano, agora é hora de recuperarmos a intensidade da luz que Deus colocou em cada um de nós.

Nossa missão é levar luz onde a sombra prevaleceu.

Rejane Monge, Nutricionista.

Servidora do Sistema  Penitenciário de MT, lotada no CDP DE Tangará da Serra

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Quando os olhos falam

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Por Kamila Garcia

Em uma sociedade marcada pela pressa, pelo excesso de ruído e pela superficialidade das interações, resiste uma linguagem silenciosa que, muitas vezes, diz mais do que qualquer discurso: o olhar.

Desde os primeiros momentos da vida, o ser humano aprende a se comunicar por meio da sensorialidade. O toque acolhe, o som orienta, os aromas despertam memórias e o paladar traduz experiências. No entanto, enquanto os outros sentidos processam o mundo exterior, é no olhar que a subjetividade encontra seu palco principal. Mais do que a visão — função biológica de captar luz —, o olhar é um ato psíquico: ele interpreta, revela e devolve o mundo carregado de intenção.

Não por acaso, Leonardo da Vinci afirmou que os olhos são “as janelas da alma”. A frase atravessa os séculos com frescor porque traduz uma evidência cotidiana: o olhar expõe as emoções que a retórica tenta camuflar. Medo, insegurança, afeto, dor e esperança encontram nos olhos um canal direto e, frequentemente, involuntário de manifestação. É a verdade nua que escapa pelo brilho da pupila ou pelo peso de uma pálpebra.

Mais do que instrumento de percepção, o olhar é um exercício de presença. Em tempos de relações mediadas por telas, onde o contato visual é substituído pelo consumo de pixels e notificações, a capacidade de sustentar o olhar do outro tornou-se um gesto raro — e, por isso mesmo, revolucionário. Enquanto a tela é estática e segura, o olho no olho exige disponibilidade, vulnerabilidade e, sobretudo, coragem. É o momento em que deixamos de observar um objeto para reconhecer um sujeito.

A recusa desse encontro não é apenas um detalhe comportamental; é, em muitos casos, um sintoma do distanciamento emocional e da dificuldade em lidar com a própria interioridade. Como observou Carl Jung: “Quem olha para fora, sonha; quem olha para dentro, desperta”. O olhar, portanto, é bidirecional — ele reflete para o mundo o grau de consciência que temos de nós mesmos.

Nesse contexto, o olhar ocupa um lugar singular entre os sentidos. Ele organiza a realidade externa ao mesmo tempo em que traduz aquilo que não cabe na gramática. Os olhos falam quando a voz silencia. Revelam quando o discurso falha. E, com frequência, denunciam o que o ego tenta ocultar.

Resgatar o valor do olhar é resgatar a autenticidade das relações humanas. É reconhecer que, para além da performance das aparências e do filtro das redes, existe uma verdade que se manifesta de maneira simples, direta e inevitável.

Porque, no fim, quando os olhos falam, eles não apenas se comunicam. Eles revelam.

*Kamila Garcia é bacharel em Língua Portuguesa e Literatura Brasileira, com pós-graduação em Psicanálise. Atualmente é estudante de Psicologia.

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