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Projeto Ártemis avalia genética de pacientes que sofreram AVC

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Estudo coordenado pelo Hospital Moinhos de Vento (HMV) e financiado pelo Ministério da Saúde, por meio do Programa de Apoio ao Desenvolvimento Institucional do Sistema Único de Saúde (Proadi-SUS), vai procurar avaliar a genética dos pacientes que tiveram um acidente vascular cerebral isquêmico (AVC isquêmico). Esta é uma doença que ocorre quando há obstrução de uma artéria, impedindo a passagem de oxigênio para células cerebrais, que acabam morrendo. Essa obstrução pode acontecer devido a um trombo (trombose) ou a um êmbolo (embolia). O AVC isquêmico é o mais comum e representa 85% de todos os casos, de acordo com o Ministério da Saúde.

“Hoje, a gente tem um entendimento melhor do quanto esse risco genético pode influenciar a chance de eu ter um AVC. Mas não somente isso, mas outras doenças que podem provocar um AVC, como pressão alta, problemas com o colesterol, diabetes”. A informação foi dada nesta quinta-feira (18) à Agência Brasil pela neurologista do Hospital Moinhos de Vento e investigadora principal do projeto Ártemis-Brasil, Ana Cláudia de Souza.


Rio de Janeiro (RJ), 18/12/2025 –Projeto Ártemis avalia genética de pacientes que sofreram AVC para desenvolvimento de novos medicamentos e tratamentos.
Foto: HMV/Divulgação

Projeto Ártemis é avaliado pela médica Ana Cláudia de Souza que estuda genética de pacientes que sofreram AVC  Foto: HMV/Divulgação

“Uma vez a gente podendo mapear melhor, analisando o que se chama hoje de genoma humano, que é esse grande livro de receitas que coordena e comanda como o nosso organismo funciona, a gente acha que vai ser muito bom para que, no futuro, possamos desenvolver novos medicamentos, ser mais precisos quando estamos indicando algum tratamento para alguém. Porque além de conseguir ver o risco de a pessoa ter um AVC, a gente também consegue ver como um organismo responde a um tratamento com base no seu perfil genético”, completou.

Segundo Ana Cláudia de Souza, o projeto Ártemis-Brasil vai abrir a porta da medicina de precisão, principalmente no Sistema Único de Saúde (SUS). A partir desses dados, os pesquisadores pretendem contribuir para modelos de cuidado mais personalizados dentro do SUS.

Participantes

Onze centros de referência no atendimento ao AVC, distribuídos por todas as regiões brasileiras, participam do estudo.

“São todos centros de alta complexidade que atendem pacientes com AVC no SUS. Vai ser uma boa contribuição para o nosso SUS”. O estudo já foi iniciado e incluiu o primeiro participante em novembro passado. O objetivo, disse a doutora Ana Cláudia, é chegar a mil participantes até o final de 2026. Serão incluídos 500 pacientes que tiveram AVC isquêmico e 500 pessoas saudáveis que nunca tiveram histórico de AVC. “Para que a gente possa fazer uma comparação entre as alterações que realmente levam à doença, é preciso comparar pessoas que tiveram AVC com outras que nunca apresentaram a doença”.

O tratamento do AVC, principalmente na fase aguda, evoluiu muito no Brasil, nos últimos 20 anos, muito em razão do trabalho da Rede Brasil AVC e da Sociedade Brasileira de AVC, que conseguiram trazer para o SUS tratamento que ajuda as pessoas na fase aguda, para desentupir um vaso cerebral quando um coágulo está entupindo, e leva aos sintomas do AVC e, mais recentemente, outro tratamento feito em alguns centros do SUS que fazem o que se denomina de cateterismo cerebral, que é a trombectomia mecânica, que remove o coágulo. “É muito parecido com o cateterismo que a gente faz no coração, só que nos vasos do cérebro”, explicou Ana Cláudia. Admitindo que o tratamento precisa muito ainda expandir para áreas de vazio assistencial do país, em especial das regiões Norte e Nordeste. “Mas a gente evoluiu bastante nos últimos anos”.

Impacto

O impacto do AVC no Brasil é muito alto. Dados da Rede Brasil AVC mostram que 85.427 pessoas morreram em decorrência da doença, em 2024. Nos anos anteriores, os registros também foram altos: 81.822 óbitos em 2021, 87.749 em 2022 e 84.931 em 2023. De acordo com o Ministério da Saúde, o AVC segue como a principal causa de morte e incapacidade no país, com 11 óbitos por hora.

“Os últimos dados mostram que ele voltou a ser a primeira causa de morte no nosso país e é a causa de maior incapacidade de todas as doenças”, indicou Ana Cláudia. Após um AVC, a pessoa pode ficar sem falar, sem se movimentar, e isso traz um impacto elevado para as famílias, para o próprio doente e para a nação, refletindo em custo alto também no SUS, acrescentou a neurologista.

Daí a importância da prevenção, não só dos principais fatores de risco, que aumentam a chance de a pessoa ter um AVC, como pressão alta, diabetes, fumo, maus hábitos de vida, má alimentação, mas também estratégias para depois que a pessoa teve um AVC, de modo a prevenir para que não tenha um segundo acidente desse tipo.

“Aí acaba entrando também o projeto Ártemis-Brasil, porque cada indivíduo é único na sua genética. E a gente, entendendo melhor como são essas características, consegue fazer uma prevenção muito mais precisa para essa pessoa. Pode indicar um tratamento específico, um regime de exercícios, alimentação, com base nesse perfil,” explicou.

Na avaliação de Ana Cláudia de Souza, vai ser um estudo único porque grande parte das pesquisas de genômica é feita nos países desenvolvidos, envolvendo populações europeias, norte-americana e até parte asiática. Não existem muitos estudos mostrando a diversidade da população latino-americana e brasileira. Com o Ártemis-Brasil, o país passa a integrar um grupo limitado de nações que investigam, em larga escala, a relação entre fatores genéticos e doenças cerebrovasculares. Uma vez concluído com sucesso no Brasil, a médica acredita que o estudo poderá ser estendido para a América Latina, por exemplo. “Ele tem potencial grande de, no futuro, a depender dos resultados, ser expandido para outras regiões que possam se juntar na iniciativa”.

O projeto também integra o Programa Genomas Brasil, que busca ampliar a diversidade genômica nacional, hoje pouco representada em estudos globais. Essa lacuna dificulta a construção de políticas e práticas clínicas que dialoguem diretamente com a realidade tão diversa da genética da população brasileira. Além da produção científica, a iniciativa prevê a capacitação de equipes do SUS em genética, aconselhamento genético e conceitos de medicina de precisão.
 

 

Fonte: EBC Saúde

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Opas alerta para alta de casos de gripe K e VSR no Hemisfério Sul

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A Organização Pan-Americana de Saúde (Opas) emitiu um alerta sobre o início da temporada de maior circulação de vírus respiratórios no Hemifério Sul. O período deve ter predominância da gripe causada pela variante K do vírus Influenza H3N2. 

Essa nova variante do vírus da gripe, identificada pela primeira vez no ano passado, foi predominante na temporada de inverno do Hemisfério Norte.

No Brasil, o subclado K foi detectado em dezembro de 2025. Apesar de não ser mais grave do que as outras variantes, ela está associada a temporadas mais longas de transmissão. 

A Opas considera, no alerta epidemiológico publicado na segunda-feira (27), que o cenário na América do Sul é “consistente com o início gradual da temporada de inverno”.

“A atividade da Influenza permanece baixa, com sinais iniciais de aumento em alguns países, predominando o vírus A(H3N2)”, informa a organização. 

Mas, considerando o que ocorreu durante o inverno nos países da parte norte do globo, a Opas alerta que as nações do Hemisfério Sul “devem se preparar não apenas para uma temporada de potencial alta intensidade, mas particularmente para picos de demanda hospitalar concentrados em períodos curtos, que poderiam colocar à prova a capacidade de resposta dos serviços de saúde”. 

No Brasil, a taxa de positividade para a Influenza permaneceu abaixo de 5% no primeiro trimestre do ano, mas já começou a subir no final de março, chegando a 7,4%. O indicador informa qual foi a proporção de testes que deram positivo para o vírus.

“Observa-se uma clara predominância da Influenza A(H3N2), com alta intensidade de circulação”, ressalta o alerta. 

O Ministério da Saúde realiza o sequenciamento do material genético desses vírus por amostragem, para identificar as variantes mais circulantes. Dos 607 testes realizados até o dia 21 de março, 72% corresponderam ao subclado K. 

Mas esse não é o único vírus que inspira preocupação das autoridades de saúde. A Opas também destacou que a circulação do vírus sincicial respiratório (VSR) está aumentando gradualmente em vários países, incluindo o Brasil, “antecipando seu padrão sazonal típico, com potencial impacto na carga de doença em crianças pequenas e outros grupos de risco nas próximas semanas.”

Vacinação

Esse cenário de aumento simultâneo do VSR e do Influenza, somado aos casos de Covid-19, que estão em baixa mas ainda ocorrem em número importante, pode levar ao esgotamento dos serviços de saúde. Por isso, a Opas recomenda que os países da região intensifiquem as ações de vacinação, para prevenir internações e mortes. 

Mesmo com o surgimento dessa nova variante, a vacina contra a gripe se mostrou eficaz no Hemisfério Norte, com uma eficácia de até 75% contra a hospitalização de crianças no Reino Unido, por exemplo, mostra o alerta da Opas. 

A vacina da gripe aplicada no Brasil é atualizada anualmente, para oferecer proteção contra os tipos que mais circularam na temporada de inverno do hemisfério Norte. Entre as três cepas presentes no imunizante deste ano, está a H3N2. 

A campanha nacional de vacinação contra a influenza está em vigor, com prioridade para crianças com menos de 6 anos, idosos, gestantes e pessoas com comorbidades, que têm mais risco de desenvolver quadros graves.

Também fazem parte do público prioritário alguns grupos como trabalhadores da saúde, população indígena, professores e pessoas privadas de liberdade.

O Sistema Único de Saúde também oferece a vacina contra o vírus sincicial respiratório para as gestantes, com o objetivo de imunizar os bebês recém-nascidos e protegê-los da bronquiolite, infecção pulmonar geralmente causada pelo VSR e que pode levar ao óbito. 

Além disso, a Opas recomenda a intensificação de ações de higiene e “etiqueta respiratória”. “Lavar as mãos é a forma mais eficiente de diminuir a transmissão. Pessoas com febre devem evitar ir ao trabalho ou a locais públicos até que a febre diminua. Da mesma forma, crianças em idade escolar com sintomas respiratórios, febre ou ambos devem ficar em casa e não ir à escola”, explica o documento. 

Boletim infogripe

A nova edição do Boletim Infogripe, divulgado pela Fundação Oswaldo Cruz nesta quarta-feira (29), confirma a avaliação da Opas. Dados coletados entre 19 e 25 de abril mostram aumento nos casos de síndrome respiratória aguda grave (SRAG) causados por Influenza A e VSR em todas as regiões do país. 

De acordo com o boletim, 24 das 27 unidades federativas do país estão em nível de alerta, risco ou alto risco para a síndrome, que ocorre quando há agravamento de sintomas, geralmente após a infecção por algum vírus. Em 16 estados, há tendência de aumento dos casos em longo prazo. 

Em 2026, já foram notificados mais de 46 mil casos de SRAG no Brasil e em 44,3% a infecção viral foi confirmada por testes de laboratório. Desses, 26,4% foram causados por Influenza A e 21,5% por vírus sincicial respiratório. Já nas últimas quatro semanas, a proporção de casos positivos por influenza A subiu para 31,6% e a de infecções por VSR atingiu 36,2%. 

Fonte: EBC Saúde

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