Saúde
Vírus sincicial também traz risco para idosos, alertam especialistas
Saúde
O aumento dos casos de influenza A tem causado preocupação, mas esse não é o único agente infecioso que ameaça a saúde dos brasileiros. No primeiro trimestre deste ano, de acordo com dados do Ministério da Saúde, 18% dos casos de síndrome respiratória aguda grave (SRAG) com identificação viral confirmada foram causados pelo vírus sincicial respiratório (VSR), uma infecção ainda pouco conhecida. 

Neste segundo trimestre, a expectativa é de aumento. De fevereiro a março, o VSR correspondeu a 14% dos casos de síndrome com vírus confirmados, de acordo com o Boletim Infogripe, da Fundação Oswaldo Cruz (Fiocruz).
De março a abril, essa proporção subiu para 19,9%. Em 2025, por 23 semanas consecutivas, de março a agosto, o VSR foi o vírus mais prevalente.
Já dados de laboratórios privados sobre pacientes com quadros leves e graves, mostram que, na semana encerrada em 4 de abril deste ano, 38% dos testes positivos para algum vírus acusaram o VSR. Essa proporção é 12 pontos maior do que a verificada na primeira semana de março, de acordo com informações reunidas pelo Intituto Todos pela Saúde.
Dados subestimados
Para a pneumologista e professora da Universidade Federal de Santa Catarina (UFSC) Rosemeri Maurici, esses números são apenas “a ponta do iceberg” e o risco do VSR é subestimado, especialmente em adultos e idosos.
Ela explica que a testagem contra o VSR só começou a ser feita em maior escala, no Brasil, a partir da pandemia de covid-19, por isso, o impacto real da doença ainda não é totalmente conhecido.
“Muitos hospitais internam pacientes com síndrome respiratória aguda agrave, e eles até morrem, sem saber qual o agente que causou, porque não testaram ou testaram fora do prazo que é identificável.”
Dos cerca de 27,6 mil casos de SRAG registrados no primeiro trimestre deste ano, por exemplo, em apenas um terço, ou seja, em 9.079, o vírus causador foi identificado. E quase 17% não foram sequer testados.
Além disso, como o VSR é o principal causador da bronquiolite, uma inflamação nos pulmões que acomete principalmente os bebês, muitas pessoas acham que o vírus não atinge adultos.
De fato, dos 1.651 casos graves de infecção por VSR registrados de janeiro a março, 1.342 foram em menores de dois anos. Entre pessoas com mais de 50 anos, apenas 46 casos foram confirmados.
Mas a médica ressalva que, em pacientes adultos, a carga viral do VSR diminui após 72 horas da infecção, o que dificulta a detecção do vírus. Já as crianças demoram mais para eliminar o invasor, o que propicia janela maior de diagnóstico. Para ela, isso também influencia as estatísticas.
Comorbidades
Os dados de mortes, por outro lado, mostram uma relação bem menos desigual: foram 27 no total este ano, sendo 17 em bebês de até 2 anos, e sete entre idosos com 65 anos ou mais. De acordo com a geriatra Maisa Kairalla, o envelhecimento pesa nessa conta, assim com as comorbidades adquiridas ao longo da vida.
“Só com o avanço da idade, a gente já tem a imunosenescência, que é o declínio do sistema imunológico, ou seja, mais chance de ter doenças infecciosas. Acontece que, no Brasil, também se envelhece com doenças crônicas.”
Segundo a pneumologista, a essa população se soma muitos pacientes que por muito tempo fumaram e ingeriram bebida alcoólica.
Idosos mais propensos
Por esse conjunto de fatores, os idosos são mais propensos a desenvolver quadros mais graves de diversas doenças. Mas dados da literatura médica apresentados por Maísa, mostram que o VSR representa um risco especial.
O paciente idoso com VSR tem 2,7 vezes mais chance de desenvolver pneumonia, e duas vezes mais chances de precisar de UTI e intubação e de vir a óbito, na comparação com a influenza.
As duas especialistas participaram na última terça-feira (7), do seminário “Impacto do VSR na população 50+”, organizado pela farmacêutica GSK para jornalistas, em São Paulo. O evento também debateu algumas condições de saúde que inspiram ainda mais cuidados entre esse público.
O cardiologista e professor da Faculdade de Medicina da Universidade de São Paulo Múcio Tavares ressaltou que mais de 60% dos casos graves associados à infecção pelo vírus essencial respiratório ocorrem em pacientes com alguma doença cardiovascular.
“As doenças virais respiratórias, costumam levar a eventos cardiovasculares e cérebro-vasculares, como infarto do miocárdio, acidente vascular cerebral e piora da insuficiência cardíaca. Isso tudo acontece porque a infecção viral causa uma inflamação sistêmica no organismo”, explicou.
O endocrinologista Rodrigo Mendes também alertou para a maior vulnerabilidade dos pacientes com diabetes, pois a maior concentração de glicose no sangue torna o paciente mais suscetível a infecções e agravamentos.
“Muitas vezes, o paciente está com a doença controlada e o tratamento estável há algum tempo. Aí ele contrai uma infecção, que gera uma resposta inflamatória exacerbada e ele não só precisa ser hospitalizado como também passa a precisar de um tratamento mais complexo”, acrescenta.
Outro grupo de alto risco é o das pessoas com doenças respiratórias crônicas como asma grave e doença pulmonar obstrutiva (DPOC). De acordo com a professora da UFSC, Rosemeri Maurici, o impacto de uma internação em UTI aumenta em 70% a probabilidade desses pacientes morrerem em até três anos.
“Além disso, ele começa a sofrer a perda da função pulmonar de forma acelerada. E esses pacientes, uma vez internando, a probabilidade de eles internarem novamente é muito grande.”
Vacinação
O VSR, e especialmente o agravamento da infecção, pode ser prevenido com vacinação, mas os imunizantes contra o vírus para a população adulta, por enquanto, estão disponíveis apenas na rede privada.
Por enquanto, o Programa Nacional de Imunizações do Sistema Único de Saúde oferece apenas a vacina para gestantes, com o objetivo de proteger os bebês nos primeiros meses de vida.
A imunização é recomendada por entidades médicas, como a Sociedade Brasileira de Imunizações (Sbim), para pessoas de 50 a 69 anos com comorbidades e para todos os idosos a partir dos 70 anos.
A professora da UFSC Rosemeri Maurici, que também é coordenadora da Comissão de Imunizações da Sociedade Brasileira de Pneumologia e Tisiologia sugere que as sociedades médicas indiquem os grupos prioritários à Comissão Nacional de Incorporação de Tecnologias no SUS-Conitec, responsável por recomendar a adoção de novas terapias ao Ministério da Saúde.
*A repórter participou do seminário a convite da GSK
Saúde
Agora Tem Especialistas lança em Manguinhos carreta de saúde da mulher
O Programa Agora Tem Especialistas, do Ministério da Saúde, lançou nesta segunda-feira (15) mais uma carreta voltada a serviços especializados de saúde da mulher. Desta vez, pacientes de Manguinhos, na zona norte do Rio de Janeiro, poderão ter o diagnóstico precoce de câncer de mama e do colo do útero.

A unidade móvel de saúde ofertará consultas ginecológicas especializadas, mamografias, ultrassonografias pélvicas e transvaginais, além de biópsias, para pacientes do Sistema Único de Saúde (SUS) agendadas e encaminhadas pela Secretaria de Saúde local.
Totalmente estruturada com insumos, equipamentos e equipes multiprofissionais, a carreta ficará posicionada no campus de Manguinhos, da Fundação Oswaldo Cruz (Fiocruz). Ela vai funcionar de segunda a sexta-feira, das 8h às 17h.
A secretária de Atenção Primária à Saúde, Ana Luiza Caldas, disse que a ideia é evitar deslocamentos longos para as mulheres de Manguinhos para ter acesso ao cuidado.
“A mulher que tem alguma indicação após passar por uma unidade básica de saúde de pode fazer um exame mais complexo na carreta e, se tiver necessidade, já faz a própria biópsia. É um cuidado especializado e próximo de onde as pessoas residem”.
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Segundo o Ministério da Saúde, além da carreta de Manguinhos, o estado do Rio também recebeu mais três unidades recentemente, sendo duas de saúde da mulher, em Petrópolis e Magé, e uma de oftalmologia em Campo Grande, com foco no diagnóstico de doenças oculares e cirurgias de catarata.
No Rio, as carretas da saúde da mulher já passaram por Japeri, Mesquita, São João do Meriti, Nova Friburgo, Itaguaí, Queimados, Morro do Alemão, Sepetiba, Maricá, Realengo, Urucânia e Volta Redonda. As de exames de imagem passaram por Paracambi, Niterói, Três Rios, Barra do Piraí e Complexo da Penha. E a de oftalmologia passou por Teresópolis e Rio das Ostras.
Carretas pelo Brasil
Unidades móveis de saúde da mulher também chegaram em Brumado (BA), Valença (BA), Abreu e Lima (PE), Cabo de Santo Agostinho (PE), Propriá (SE) e Sapucaia do Sul (RS).
Já pacientes do SUS de Calçoene (AP), Ceilândia (DF), João Pinheiro (MG), Mariana (MG), Aurora do Pará (PA), Dianópolis (TO) e Aquidauana (MS) começam a ser atendidos nas carretas de exames de imagem, que realizam procedimentos fundamentais para o apoio ao diagnóstico e definição de tratamentos. Pato Branco (PR) recebeu uma das carretas de oftalmologia.
O programa Agora Tem Especialistas atua em diversas frentes para reduzir o tempo de espera por atendimento especializado no SUS, além das carretas. Entre as ações estão mutirões aos fins de semana, reativação de espaços ociosos em hospitais públicos, ampliação do horário de funcionamento de policlínicas, contratação de médicos especialistas e ampliação do atendimento a pacientes do SUS em hospitais privados e filantrópicos credenciados.
De acordo com o ministério, as iniciativas do Agora Tem Especialistas contribuíram para a rede pública. Em 2025, o país alcançou a marca de 14,9 milhões de cirurgias eletivas — crescimento de 42% em relação a 2022 —, além de registrar 1,3 milhão de exames especializados e 14 milhões de internações realizadas pelo SUS.
Desde que começaram a rodar o país, principalmente em locais de difícil acesso, com vazios assistenciais, além de cidades-polo, as carretas de saúde da mulher, oftalmológicas e de exames de imagem têm ampliado a oferta de serviços de saúde especializados, reduzindo assim o tempo de espera por consultas, exames e cirurgias. As unidades móveis já passaram por mais de 2,9 mil municípios, atendendo pacientes do SUS em todos os estados brasileiros e no Distrito Federal.
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