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Agricultura

O Paradoxo do Feijão no Brasil: Consumo em Queda, Preços em Alta

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O Brasil observa um cenário contraditório em relação ao feijão: enquanto o alimento perde espaço na mesa do consumidor, sua valorização no mercado se acentua. Essa dinâmica é impulsionada pela combinação de fatores como a redução da área plantada, problemas climáticos e baixos níveis de estoque, que elevam as cotações mesmo durante os períodos de colheita.

A Redução do Consumo no Prato do Brasileiro

O consumo per capita de feijão no país hoje ronda os 12 quilos anuais, representando uma queda significativa em relação aos 18,8 quilos registrados na década de 1990. Essa diminuição gradual tem sido acelerada por mudanças nos hábitos alimentares, a crescente busca por praticidade nas refeições e a preferência por produtos industrializados.

Representantes da cadeia produtiva identificam que o feijão deixou de ser preterido pelo sabor e, sim, pela rotina. O preparo, considerado mais demorado, e a adoção de hábitos urbanos menos adaptados a cozinhar por longos períodos, têm reduzido a presença do grão nas refeições diárias.

O Mercado Reage com Valorização do Grão

Em contraste com a queda no consumo, o mercado de feijão apresenta uma reação oposta, com levantamentos indicando uma valorização expressiva. Por exemplo, o feijão-carioca de alta qualidade atingiu cerca de R$ 297 por saca de 60 quilos no leste de Goiás, com um aumento superior a 12% em um único mês. O feijão-preto no sul do Paraná também registrou elevação, chegando a aproximadamente R$ 183 por saca.

Fatores de Oferta Impulsionam os Preços

A sustentação dos preços é resultado direto de fatores relacionados à oferta. A primeira safra do ano foi consideravelmente menor, com uma redução de aproximadamente 20% para o feijão-carioca e entre 20% e 25% para o feijão-preto, impactando a disponibilidade imediata no mercado. A segunda safra, por sua vez, só alcançará volume significativo a partir de maio, mantendo o abastecimento ajustado no primeiro trimestre.

Dados oficiais apontam uma retração estrutural na produção. A área plantada para a safra 2025/26 é projetada em 807,6 mil hectares, uma queda de 11,1% em relação ao ciclo anterior, com uma produção esperada de 983,6 mil toneladas, recuo de 7,4%. Essa migração de lavouras para culturas consideradas mais rentáveis e previsíveis, como soja e milho, contribui para a diminuição da oferta.

O comportamento do feijão é típico de uma cultura de ciclo curto e sensível a riscos. Sua resposta rápida às variações de preço – perdendo área quando a rentabilidade cai e vendo as cotações subirem com a diminuição da oferta – dificulta o planejamento de longo prazo e afasta investimentos mais robustos no setor.

As condições climáticas também exercem forte influência. Chuvas excessivas em partes do Sudeste têm comprometido a qualidade e o rendimento, enquanto regiões do Sul enfrentam ondas de calor e irregularidade hídrica em lavouras tardias, resultando em heterogeneidade produtiva e menor volume disponível.

A pressão dos custos é outro desafio. O feijão demanda um acompanhamento agronômico intensivo e apresenta elevado risco de perdas, o que diminui sua competitividade em comparação com commodities que possuem um mercado internacional mais estruturado.

Perspectivas para o Feijão no Brasil

Apesar da redução do consumo, o Brasil se destaca como um dos poucos países que realizam três safras anuais do grão, garantindo o abastecimento interno ao longo do ano. Contudo, a produção é quase exclusivamente voltada para o mercado doméstico, tornando o setor altamente dependente do comportamento do consumidor brasileiro.

No curto prazo, a expectativa é de manutenção de preços firmes até abril, período que antecede a entrada mais consistente da segunda safra. Para o restante do ano, o cenário do mercado dependerá do sucesso do plantio irrigado da terceira safra. Caso a área cultivada não se recupere, o feijão poderá sustentar sua valorização, mesmo diante de uma menor presença no prato do consumidor.

<i>Este conteúdo foi adaptado pela nossa redação a partir de informações originais de [Nome do Site Fonte]. Imagens: Reprodução / Créditos originais mantidos na fonte.</i>

Fonte: https://pensaragro.com.br

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Alta dos insumos e eventos climáticos ampliam pressão sobre o agronegócio

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O avanço dos custos de produção e a maior frequência de eventos climáticos extremos estão entre os principais desafios enfrentados pelo agronegócio mineiro em 2026. A avaliação é de que o setor convive simultaneamente com os reflexos das tensões geopolíticas internacionais, que afetam o mercado global de insumos, e com fenômenos climáticos cada vez mais imprevisíveis, capazes de comprometer a produtividade no campo.

Segundo dados apresentados durante evento realizado em Belo Horizonte, os custos dos insumos agrícolas acumularam alta de cerca de 70% desde 2019. O aumento atinge diretamente a rentabilidade dos produtores rurais e acaba repercutindo ao longo da cadeia, influenciando os preços dos alimentos que chegam ao consumidor.

A pressão sobre os custos ocorre em um contexto de forte dependência de fertilizantes e outros insumos importados. Conflitos internacionais, restrições comerciais e oscilações nos mercados globais têm provocado instabilidade nos preços e aumentado a preocupação de produtores e entidades do setor.

Diante desse cenário, uma das apostas para reduzir a vulnerabilidade das propriedades rurais tem sido a ampliação do uso de bioinsumos e o desenvolvimento de tecnologias adaptadas às condições brasileiras. A estratégia busca diminuir a dependência de produtos importados e aumentar a eficiência produtiva das lavouras.

O incentivo ao uso de variedades mais resistentes também integra esse movimento. A expectativa é que cultivares com maior tolerância a estresses climáticos e menor exigência de determinados insumos possam contribuir para reduzir custos e ampliar a resiliência das atividades agrícolas.

Minas Gerais ocupa posição de destaque na agropecuária nacional, com forte participação em cadeias como café, leite, batata, citros e diversas outras culturas. Essa diversidade produtiva ajuda a distribuir riscos e fortalece a participação do agronegócio na economia estadual.

Nos últimos anos, o setor registrou crescimento das exportações e ampliou sua contribuição para a geração de renda e empregos. Ainda assim, produtores continuam enfrentando desafios relacionados ao acesso ao crédito, à incorporação de novas tecnologias e à gestão das propriedades diante de um ambiente de negócios cada vez mais complexo.

Entre as preocupações mais imediatas está a influência do clima sobre as lavouras. Em regiões produtoras de café, episódios recentes de chuva de granizo têm gerado apreensão entre agricultores devido ao potencial de danos às plantações. Além das perdas diretas, eventos desse tipo aumentam a incerteza sobre a produção e podem afetar a qualidade dos grãos.

A combinação entre custos elevados e instabilidade climática reforça a necessidade de investimentos em inovação, pesquisa e gestão de risco. Para especialistas do setor, a capacidade de adaptação será cada vez mais determinante para manter a competitividade da agropecuária brasileira nos próximos anos.

Mesmo diante das dificuldades, o agronegócio segue como um dos principais motores da economia mineira. A expectativa é que o avanço de tecnologias, a adoção de práticas sustentáveis e a busca por maior eficiência produtiva permitam ao setor enfrentar um cenário marcado por desafios globais e mudanças cada vez mais rápidas no ambiente de produção.

Fonte: Pensar Agro

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