Opinião
O que crimes brutais revelam sobre o sistema penal brasileiro
Opinião
*por Fred Murta
Existe um momento em que a violência deixa de ser apenas uma ocorrência policial e passa a revelar uma questão mais profunda: a capacidade do Estado de responder a crimes que ultrapassam qualquer limite de humanidade.
Ao longo da minha trajetória na segurança pública, especialmente atuando em investigações de homicídios e crimes violentos, acompanhei de perto o sofrimento de vítimas e familiares. E uma coisa sempre ficou evidente: por trás de cada processo existe uma história que não aparece nos autos. Existe uma família destruída, uma vida interrompida e uma dor que permanece muito depois do encerramento de uma investigação.
Casos como a chacina de Sorriso, onde uma mãe e suas três filhas foram violentadas e assassinadas dentro de casa, e o episódio envolvendo uma adolescente de 13 anos na Baixada Fluminense, sequestrada e violentada após ser confundida com uma pessoa ligada a uma facção criminosa, revelam uma realidade que se repete: quando a violência ultrapassa todos os limites, a sociedade passa a questionar se a resposta do Estado está sendo proporcional à gravidade do que aconteceu.
Essa pergunta não nasce apenas da revolta. Ela nasce também da percepção de muitas pessoas de que existe uma distância entre a dimensão do dano causado às vítimas e a resposta entregue pelo sistema de Justiça. É importante afirmar: um Estado democrático precisa garantir direitos, respeitar o devido processo legal e assegurar que ninguém seja punido fora das regras estabelecidas. A Justiça não pode ser substituída pela vingança.
Mas também é preciso reconhecer outro lado desse debate: a vítima não pode ser a parte esquecida dentro do processo criminal.
Quando uma família perde alguém de forma violenta, ela não está acompanhando apenas um procedimento jurídico. Ela está tentando reconstruir uma vida que nunca mais será igual. E quando essa família percebe que o responsável pelo crime pode retornar ao convívio social antes que ela consiga compreender a ideia de justiça, cresce uma sensação de abandono.
É desse sentimento que nasce a percepção de impunidade.
Ignorar essa realidade é um erro. A sociedade precisa confiar que o Estado é capaz de investigar, julgar e responsabilizar quem pratica crimes graves. Quando essa confiança desaparece, surge um dos maiores riscos para qualquer democracia: a ideia de que cada pessoa deve buscar a própria justiça. E não existe sociedade segura quando o cidadão deixa de acreditar nas instituições.
O debate sobre segurança pública precisa superar uma falsa divisão entre punição e ressocialização. Um sistema penal eficiente precisa responsabilizar quem comete crimes graves, mas também precisa criar condições para impedir que novos crimes aconteçam.
Outros países que enfrentaram desafios semelhantes entenderam que segurança não depende de uma única medida. É necessário um sistema funcionando de forma integrada: investigação eficiente, julgamento em tempo adequado, cumprimento das decisões judiciais e um sistema prisional que não fortaleça o crime.
Ressocializar não pode significar ausência de consequência. E responsabilizar não pode significar abandonar a busca por uma sociedade com menos violência.
O Brasil precisa olhar para crimes brutais não apenas pelo impacto da notícia ou pela indignação do momento, mas pelo que eles revelam sobre nossas falhas.
A resposta não pode aparecer somente depois da tragédia. Ela precisa estar na prevenção, na eficiência das instituições e na construção de um sistema de Justiça que consiga proteger quem mais precisa dele: as vítimas.
Frederico Murta é delegado da Polícia Judiciária Civil de Mato Grosso
Opinião
Da comida à recreação: todas as fases de uma festa infantil
*Por Edy Machado
Organizar uma festa infantil envolve expectativa, afeto e muitas decisões. Antes da data, as famílias já planejam cada detalhe. Escolhem o tema, definem os convidados e buscam alternativas que tornem a comemoração inesquecível para todos os presentes.
Por muito tempo, as festas infantis focaram na alimentação e nos momentos tradicionais. O bolo, os doces, os salgados e o parabéns sempre ocuparam lugar de destaque. Esses elementos continuam importantes, afinal, a comida tem um papel afetivo essencial. Ela reúne pessoas, cria conexões e faz parte das lembranças que carregamos. Quem não recorda de uma celebração pelo sabor de um doce preferido ou pelo momento de dividir a mesa com familiares? Essas memórias permanecem vivas porque representam encontros e carinho.
Ao mesmo tempo, as comemorações passam por transformações. Crianças de hoje buscam participação durante todo o evento. Elas querem brincar, explorar, descobrir novidades e compartilhar experiências com os colegas. A comemoração deixou de ser centrada em momentos específicos para se transformar em uma vivência completa.
Agora, a recreação passou a ocupar um espaço mais relevante. Não se trata de oferecer entretenimento passageiro, mas de proporcionar oportunidades para que os pequenos expressem a imaginação e construam lembranças. Brincar é uma necessidade da infância. É por meio das brincadeiras que as crianças aprendem, interagem e experimentam o mundo. Em um aniversário, essa dimensão ganha importância, pois está associada à alegria daquele dia.
A diversão não beneficia apenas os pequenos. Quando os filhos estão envolvidos em atividades seguras, os adultos aproveitam. Os pais conversam com tranquilidade, participam dos momentos em família e vivem a festa sem a preocupação de entreter as crianças.
A praticidade também é valorizada pelas famílias. A rotina exige espaços com estrutura completa, reunindo alimentação, lazer e conforto em um único ambiente. Essa integração facilita a organização e permite focar no que realmente importa, celebrar.
A segurança merece destaque. Toda família deseja que os filhos brinquem livremente em locais preparados. O planejamento e o monitoramento das atividades trazem confiança aos pais, tornando a experiência agradável. Como cada criança possui sua personalidade, oferecer diferentes opções de lazer acolhe perfis distintos, garantindo que todos se divirtam.
As festas infantis são fundamentais para a convivência familiar. Na correria diária, elas reúnem gerações, fortalecendo laços. Uma celebração vai além da decoração. O sucesso vem da união de fatores. O alimento acolhe, o espaço traz conforto e o lazer gera alegria. O que fica são as memórias dos momentos vividos, das risadas e do afeto. É isso que transforma uma festa em uma lembrança eterna.
Edy Machado é empresária e proprietária do Fly Park, em Cuiabá.
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