Search
Close this search box.

Opinião

Resiliência no ativismo cívico

Publicado em

Opinião

Há alguns anos, eu estava na rua. Participei ativamente do Movimento Muda Brasil e fui líder do “Vem Pra Rua” em Mato Grosso. Cobrávamos ética e fim da corrupção. Era voluntário. Há 2 anos e 5 meses sou presidente da CDL Cuiabá. Também voluntário. Sem salário. Sem gabinete luxuoso.

 

Essa trajetória me ensinou: cobrar é fácil. Resolver é chato. E o chato funciona.

 

Hoje, o ativismo virou clique. Todo mundo posta stories reclamando dos buracos, da sujeira nas ruas e praças e da seletividade da justiça. E aí? Nada muda. A performance da indignação substituiu a eficiência da articulação.

 

No ativismo 1.0, a gente lotava a rua, a imprensa mostrava, e houve um impeachment, mas o problema da corrupção, da ineficiência estatal, convenhamos, não acabou. Algo aconteceu, sim. Só que não foi a transformação duradoura que a gente imaginava. No ativismo 2.0, você senta com as autoridades constituídas, mostra e descreve o problema, assina compromissos e volta no mês que vem para cobrar de novo. Sem like. Sem holofote.

 

Resolver problemas e encontrar soluções dá menos like do que reclamar. Mas o like não asfalta rua, não tampa buraco, não traz limpeza, mobilidade, educação financeira. A pressão constante e educada cria pelo menos a expectativa de resolução. E quando a autoridade não resolve? Aí a rua volta, mas com dados, ofício e, se necessário, barulho cirúrgico.

 

Muita gente desiste do associativismo porque acha que “voluntário” significa “não posso cobrar muito”. Engano. Voluntário não é frouxo. É movido a propósito. E propósito cobra mais do que salário.

 

Três regras que aprendi:

 

1. Cobrança sem solução é fofoca. Leve uma ideia. Busque parceria, solução, não inimizade. Algumas respostas independem do setor público.

 

2. A rede social é o gancho, não o martelo. Poste com dados, sem xingamento. E, depois, levante e ligue para quem resolve.

 

3. Voluntário não precisa ser herói, precisa ser insistente. Não desista na primeira negativa. Volte. Recomece.

 

Muitos empresários dizem: “Política é suja, não adianta.” Mas se você não participar, sentar à mesa, vão decidir sua vida sem você. Reclamar é direito. Propor é dever.

 

Troquei a adrenalina do protesto pela paciência da construção. Não é glamoroso. Ninguém aplaude reunião de três horas. Mas quando há melhoras, aquilo não veio de um stories. Veio de um voluntário chato que insistiu.

 

Meu convite: seja voluntário de alguma coisa. CDL, associação de bairro, CVV, conselho escolar. Cobrar sem ser chato, resolver sem holofote, insistir sem desistir.

 

“A rua te ensina a gritar. A mesa te ensina a esperar. E o resultado te ensina que os dois são necessários, mas só um deles constrói.”

*Júnior Macagnam é empresário do setor da moda há mais de 20 anos e presidente da Câmara de Dirigentes Lojistas de Cuiabá (CDL Cuiabá).

COMENTE ABAIXO:
Continue lendo
Propaganda

Opinião

O desafio de educar as novas gerações

Publicados

em

Por

Por Maria Palma da Cruz

Diretora do Centro de Difusão e Informação de Logosofia em Cuiabá

Educar as novas gerações é um dos desafios mais complexos do nosso tempo. Em meio a mudanças rápidas, excesso de informação e novas formas de convivência, se torna cada vez mais evidente que educar não se limita a transmitir conteúdos, mas a formar seres humanos mais conscientes e equilibrados.

A educação ocorre, sobretudo, no cotidiano. Ela se expressa no exemplo, nas atitudes e na forma como adultos lidam com erros, limites e escolhas. Nesse sentido, pais e educadores exercem uma influência que vai muito além do que dizem, ela se revela principalmente no que fazem.

Sob a perspectiva logosófica, educar implica também um processo de autoconhecimento. Ao orientar uma criança ou adolescente, o adulto é chamado a observar a si mesmo, suas reações e sua forma de compreender o outro. Educar, assim, se torna uma via de mão dupla: ao mesmo tempo em que forma, transforma quem educa.

Outro aspecto essencial é a necessidade de uma educação mais consciente e intencional, que considere as particularidades de cada ser humano e a coerência entre os ambientes familiar, escolar e social. Quando esses espaços atuam em sintonia, o processo educativo ganha mais sentido e estabilidade.

Refletir sobre esses temas é fundamental diante dos desafios atuais da formação humana. Com esse propósito, será realizada a palestra “O desafio de educar as novas gerações”, no dia 25 de junho, às 20h, no Hotel Deville Prime Cuiabá (Av. Issac Póvoas, nº 1.000, Centro – Cuiabá). A entrada é gratuita. A palestra será ministrada por Liara Sia Moreira Salles, pedagoga com mais de 40 anos de experiência em educação e coordenadora geral do Sistema Logosófico de Educação no Brasil, Argentina e Uruguai.

A proposta é ampliar a reflexão sobre caminhos possíveis para uma educação mais consciente, capaz de contribuir para a formação de seres humanos mais íntegros e preparados para os desafios do nosso tempo.

COMENTE ABAIXO:
Continue lendo

POLÍTICA

POLÍCIA

ESPORTES

ENTRETENIMENTO

MAIS LIDAS DA SEMANA